O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5/11) sua renúncia ao cargo. A manifestação ocorre em meio aos desdobramentos de uma crise bancária, causada pela falência do Ueno Bank, um dos maiores do país, com 2,9 milhões de clientes.
O problema provocou forte descontentamento, desencadeou revoltas populares e culminou na abertura de um processo de impeachment contra o chefe de Estado.
Até os aliados de Peña tinham anunciado que votariam a favor do afastamento, o que abria caminho para a aprovação unânime da acusação. A oposição acusa o presidente de ter responsabilidade no suposto desvio de recursos públicos para o banco.
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Prisões, protestos e fechamento do banco
A crise se agravou ao longo da semana. As denúncias contra o Ueno Bank resultaram na prisão de oito pessoas ligadas à instituição, em protestos em frente às agências e no anúncio de que o banco vai fechar as portas e entrar em recuperação judicial.
Na véspera, o presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, já tinha deixado o cargo. Ele havia sido indicado por Peña, que foi investidor da holding controladora do Ueno Bank até março de 2025.
Fim da hegemonia colorada em xeque
Conservador, Peña assumiu a Presidência em agosto de 2023 e garantiu mais cinco anos de poder ao Partido Colorado, que governa o Paraguai há quase sete décadas, desde a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989). A única exceção foi o governo do ex-bispo de esquerda Fernando Lugo (2008-2012), que sofreu impeachment antes de concluir o mandato.
Imagem do país em risco
O escândalo coloca em xeque a reputação que transformou o Paraguai em um dos destinos emergentes de investimento estrangeiro na América do Sul, boa parte vinda do Brasil. Segundo o jornal britânico Financial Times, o país cresceu rapidamente e conquistou o grau de investimento nos últimos anos, mas críticos apontam que a corrupção e a influência política sobre o Judiciário e as empresas ainda dificultam os negócios.
Peña postou um vídeo nas redes sociais falando sobre a decisão:
*estagiária sob supervisão do editor-executivo João Renato Faria
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(Com Folhapress)
