O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, procurou se distanciar da derrota republicana nas eleições de meio de mandato de terça-feira (3), que deram aos democratas o controle das duas casas do Congresso, segundo projeções das emissoras americanas. Entre críticas à campanha de seu partido e acenos de cooperação à oposição, Trump repetiu que o resultado teria sido diferente se ele próprio estivesse concorrendo.

“Eu não estava na cédula e, se estivesse, teríamos vencido DE LAVADA!”, escreveu na rede Truth Social durante a noite eleitoral. A mensagem, reproduzida pela Reuters, contrastou com o apelo feito pelo presidente na campanha para que seus apoiadores votassem como se seu nome estivesse na disputa.

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A dimensão do revés ficou evidente nas vitórias democratas em redutos conservadores, entre eles Texas, Carolina do Sul e Iowa. A Reuters descreveu o resultado como uma forte reprimenda a Trump e relacionou a onda oposicionista à insatisfação com a economia, o custo de vida e a guerra contra o Irã. “É o início do fim do governo Trump”, resumiu a CNN.

Na manhã desta quarta-feira (4), a equipe eleitoral da CNBC projetava que os democratas conquistariam pelo menos 250 cadeiras na Câmara dos Representantes e que seu campo político teria ao menos 54 assentos no Senado. Os republicanos apareciam com um mínimo projetado de 160 deputados e pelo menos 42 senadores. Essas projeções ainda não representavam a composição final das bancadas: as disputas seguiam indefinidas nos estados do Alaska e Mississipi.

O avanço nas duas casas permitirá à oposição confrontar as prioridades do governo e abrir investigações parlamentares com poder de convocar testemunhas e requisitar documentos.

Em uma ligação à CBS News após as vitórias dos democratas, Trump adotou um tom conciliador ao reconhecer o sucesso da oposição. “Minha mensagem é: parabéns aos democratas, e espero trabalhar com vocês pelo bem do nosso país”, afirmou.

A disposição para negociar veio acompanhada de uma advertência. O presidente disse acreditar que os democratas buscariam cooperação, mas acrescentou: “Caso contrário, eu simplesmente vetaria tudo, e eles não vão querer isso”. Na mesma conversa, voltou a sustentar que a ausência de seu nome na cédula explicava as perdas republicanas.

Trump também atribuiu parte do resultado à rejeição a candidatos republicanos e ao afastamento de sua base. Segundo ele, alguns concorrentes não eram seus aliados, algo que seus eleitores perceberiam. Ao ser questionado sobre a derrota, disse que tentou ajudar a eleger candidatos, mas que os apoiadores não compareceram como deveriam.

Em entrevista ao The New York Times, Trump declarou estar “absolutamente disposto a aceitar esses resultados” e indicou que procuraria acordos com os democratas. Na Fox News, reconheceu que os adversários fizeram “um bom trabalho” e que lutaram com empenho.

O reconhecimento não impediu ataques à própria emissora conservadora. Em publicação na Truth Social, citada pela Variety, o presidente responsabilizou a Fox News por dar espaço frequente à oposição democrata em sua programação.

À Fox News, Trump admitiu que o conflito com o Irã teve peso no desempenho republicano. “Acho que parte disso foi o Irã”, disse, antes de defender a importância de suas ações no país. A declaração introduziu um fator ligado ao próprio governo em uma reação inicialmente centrada na ausência de seu nome na disputa.

Na entrevista à CBS News, o presidente afirmou que a guerra terminaria quando ele determinasse. A fala ocorreu em meio à expectativa de maior fiscalização parlamentar sobre seu governo, após a virada democrata no Congresso.

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As primeiras reações de Trump combinaram, assim, três movimentos: rejeitar a ideia de responsabilidade pessoal pelo revés, reconhecer a vitória dos adversários e sinalizar que usará o veto como instrumento de negociação.


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