Dois britânicos apaixonados por história enfrentaram o tribunal de Caen, em Calvados. Gary Sterne e o filho, Daniel, respondem na Justiça francesa após desenterrarem a bateria militar alemã de Grandcamp-Maisy, que permaneceu esquecida desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
O Ministério Público acusa a dupla de conduzir escavações arqueológicas sem autorização prévia e de lucrar com o material resgatado. Durante o julgamento, a juíza destacou que as intervenções com escavadeiras e abertura de trincheiras ocorreram sem qualquer protocolo ou permissão oficial.
Achado por acaso e compra do terreno
A localização do ponto militar começou a ser desvendada quando Gary Sterne encontrou um mapa antigo no bolso de uma farda comprada em um brechó. Proprietário de um imóvel na região de Calvados, ele procurou instituições especializadas, mas nenhum órgão conhecia a estrutura.
Sem registros oficiais sobre o espaço, o britânico adquiriu a propriedade rural e declarou sua decisão: "decidi comprar essas terras pensando que, se não encontrasse nada, iria cultivá-las". O trabalho de escavação teve início em 2004 e revelou objetos históricos a cada 50 metros.
A iniciativa ganhou notoriedade após a publicação de uma reportagem em um jornal francês. Com o relato de testemunhas, o explorador reconstituiu os detalhes da base estratégica instalada no setor da praia de Omaha, nas proximidades da ponta de Hoc.
Trincheiras, museu e acusação
As buscas trouxeram à tona uma rede de trincheiras, casernas e bunkers. Gary e Daniel abriram um pequeno museu no local para exibir os itens ao público, mas a Justiça também apura a comercialização de achados militares, incluindo capacete alemães vendidos em um site do Reino Unido.
No tribunal, Daniel Sterne chorou durante o depoimento, enquanto o pai pediu desculpas aos magistrados e afirmou: "minhas intenções eram apenas proteger esses vestígios históricos, não queria ganhar dinheiro".
A Direção Regional de Assuntos Culturais avaliou o prejuízo em 93 mil euros por intervenções feitas entre 2019 e 2024. A promotoria solicitou a aplicação de 50 mil euros em multas, enquanto a defesa solicitou a absolvição dos dois réus.
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O tribunal marcou para 15 de dezembro a decisão sobre a legalidade das escavações.
