Em 1983, Wang Zhanfeng abandonou a gestão de um hotel e investiu as próprias economias para plantar árvores em sua terra natal. O morador retornou ao condado de Youyu, na província de Shanxi, onde arrendou 1.500 mu, o equivalente a cerca de 100 hectares de terra degradada no vale de Shipaogou.

Wang se tornou a primeira pessoa de Shanxi a assinar um contrato para administrar uma pequena bacia hidrográfica. Para conter a erosão, ergueu estruturas de retenção de solo e conservação hídrica. Com a substituição de métodos rudimentares por sistemas avançados de irrigação, a taxa de sobrevivência das mudas atingiu entre 80% e 90% a partir do ano 2000, segundo o jornal "China Daily".

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Desafios no vale árido

O trabalho inicial enfrentou mudas de baixa qualidade, solo infértil e a incompreensão da família. Wang construiu abrigos na montanha, mudou de casa três vezes e cumpriu jornadas diárias das cinco da manhã até a noite. No período de maior vigor físico, cavava e plantava até 50 covas por dia.

O antigo hoteleiro carregava três itens constantes na montanha: pá, pão seco para se alimentar e pomada contra o congelamento das mãos. Quando encontrava mudas cobertas pela terra, limpava as plantas e as endireitava. "Pensei em desistir, é muito duro", declarou Wang, pontuando em seguida: "não se deve abandonar pela metade; com as árvores ocorre o mesmo".

Recuperação florestal e biodiversidade

Após 43 anos de trabalho, Wang Zhanfeng, hoje com 75 anos, recuperou mais de 3.000 mu de terra, área equivalente a 200 hectares, de acordo com o "People's Daily". Sua dedicação integra o esforço de sete décadas da região, que ampliou a cobertura vegetal de Youyu de menos de 0,3% para 57%.

O condado fica a menos de 100 quilômetros do deserto de Mu Us, em um corredor de ar frio siberiano com precipitação média anual inferior a 400 milímetros. No passado, especialistas internacionais sugeriram a transferência de toda a população local por considerarem o território um dos lugares "menos propícios para a vida humana", proposta rejeitada pelos habitantes.

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O vale de Shipaogou deixou de ter apenas choupos para acolher peônias chinesas e damasqueiros, atraindo faisões selvagens e corços siberianos. O projeto de Wang inclui agora o cultivo de mirtilos e espinheiro-marítimo para gerar renda com o solo recuperado. O agricultor mantém a rotina diária de percorrer as encostas com tesouras para podar galhos tortos.


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