A norte-americana Christa Pike, de 50 anos, sobreviveu a uma tentativa de execução por injeção letal no Tennessee e permanece algemada a uma cama de hospital. Após 30 anos no corredor da morte, ela está consciente, consegue falar e recebe cuidados médicos intensivos.

Segundo os advogados, a recuperação de Pike é prolongada e o prognóstico, incerto. Ela recebeu duas doses de pentobarbital durante o procedimento na semana passada e passou dias inconsciente enquanto a equipe médica trabalhava para retirar a substância do seu organismo.

O caso é considerado sem precedentes por especialistas. Em outras tentativas de execução que falharam, o processo foi interrompido antes que a substância letal fosse administrada. Com Pike, o medicamento foi efetivamente aplicado, mas não funcionou como o esperado.

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Deborah Denno, criminologista e professora da Faculdade de Direito da Fordham, afirmou ao jornal O Globo que houve outros sete casos de prisioneiros que sobreviveram a tentativas de execução, mas em todos eles o procedimento foi interrompido antes da injeção. Ela disse que o caso de Pike "nunca aconteceu antes".

Hipótese para a falha na execução

A defesa levanta a hipótese de que o medicamento pode ter se espalhado pelos tecidos sob a pele em vez de circular pelo sangue. Os advogados já haviam alertado sobre as condições médicas de Pike, como trombocitose, que favorece a formação de coágulos, e veias pequenas, que poderiam dificultar o acesso intravenoso.

O anestesiologista Joel Zivot, que assessora a equipe de defesa, afirmou que a sobrevivência após uma injeção letal é extremamente incomum. Ele ressaltou que ainda não está claro quais serão as consequências médicas de longo prazo.

Após a tentativa de execução, o governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu todos os procedimentos no estado pelo resto do ano. O chefe do sistema penitenciário estadual também anunciou que deixará o cargo. O caso ocorreu meses após outra execução malsucedida no estado, a de Tony Carruthers, interrompida por não encontrarem uma veia adequada.

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Os advogados de Pike pedem que o governador converta a pena de morte em prisão perpétua, mas ainda não há uma decisão sobre uma nova tentativa de execução. Pike foi condenada por matar Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995, junto com seu então namorado, Tadaryl Shipp. Por ser menor de idade na época, Shipp não recebeu pena de morte e continua preso.

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