Especial/infância na guerra Os impactos dos conflitos armados na vida de crianças em diferentes países

Recrutados para lutar

Grupos armados utilizam crianças em combates e atividades de apoio no leste do Congo; violência também provoca o fechamento de milhares de escolas e aumenta o risco de exploração infantil

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O recrutamento de crianças por grupos armados continua entre as principais violações de direitos humanos na República Democrática do Congo. No leste do país, confrontos entre forças governamentais e organizações rebeldes provocam deslocamentos, interrompem a educação e expõem meninos e meninas à exploração.

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Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), ameaças e ataques de grupos armados haviam provocado o fechamento de mais de 5.200 escolas até agosto de 2025, deixando aproximadamente 1,9 milhão de crianças sem acesso às aulas.


A situação se agravou com a ofensiva do movimento rebelde M23, especialmente nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul. Famílias foram obrigadas a abandonar suas casas, enquanto escolas e serviços de saúde tiveram o funcionamento comprometido.


O recrutamento infantil envolve diferentes atividades. Crianças podem ser utilizadas como combatentes, mensageiras, vigias e carregadoras. Meninas também enfrentam riscos de violência sexual e exploração.


O UNICEF alerta que o abandono escolar e a separação familiar ampliam a vulnerabilidade ao recrutamento. A agência desenvolve ações de proteção, reunificação de famílias e reintegração de menores retirados dos grupos armados.


O retorno à vida civil exige acompanhamento psicológico, educação e oportunidades de formação profissional. Sem essas medidas, crianças que conseguem escapar da violência permanecem expostas a novas formas de exploração.




No leste do Congo, famílias caminham pelas ruas de Mugunga carregando os poucos pertences que conseguiram salvar dos confrontos. Perto dali, no campo de Bulengo, crianças lavam pratos entre abrigos improvisados, tentando preservar pequenos gestos de uma rotina interrompida. A violência dos grupos armados transforma estradas em rotas de fuga e campos de deslocados em moradias sem prazo para terminar. Entre o medo de novos ataques e a necessidade de sobreviver, milhares de crianças crescem longe de casa, enquanto a possibilidade de voltar permanece incerta.

No leste do Congo, famílias caminham pelas ruas de Mugunga carregando os poucos pertences que conseguiram salvar dos confrontos. Perto dali, no campo de Bulengo, crianças lavam pratos entre abrigos improvisados, tentando preservar pequenos gestos de uma rotina interrompida. A violência dos grupos armados transforma estradas em rotas de fuga e campos de deslocados em moradias sem prazo para terminar. Entre o medo de novos ataques e a necessidade de sobreviver, milhares de crianças crescem longe de casa, enquanto a possibilidade de voltar permanece incerta. ALEXIS HUGUET



Para entender o conflito Na síria


1994
Genocídio em Ruanda
O genocídio contra os tutsis provoca a fuga de milhares de pessoas para o então Zaire, atual República Democrática do Congo. A presença de grupos armados amplia as tensões regionais.



1996
Primeira Guerra do Congo
Uma rebelião apoiada por países vizinhos derruba o regime de Mobutu Sese Seko no ano seguinte, iniciando uma nova fase de instabilidade política.



1998
Segunda Guerra do Congo
Um novo conflito envolve diversos países africanos e grupos armados, provocando uma grave crise humanitária.



2012
Surgimento do M23
O movimento rebelde M23 assume o controle de áreas no leste congolês. Após derrotas militares, perde posições, mas não desaparece.



2021
Retomada dos confrontos
O M23 reinicia operações militares. O governo congolês acusa Ruanda de apoiar os rebeldes, acusação sustentada por relatórios de especialistas
da ONU.



2025
Avanço rebelde
O M23 conquista Goma e Bukavu, importantes cidades do leste. A ofensiva provoca novos deslocamentos e amplia as violações contra civis.



2026
Crise prolongada
A insegurança continua nas províncias orientais, enquanto milhões de pessoas dependem de assistência humanitária. O recrutamento infantil permanece entre as principais preocupações do UNICEF.



“Fui açoitado porque me recusei matar”


Paluku, de 12 anos, foi sequestrado por rebeldes no Congo e obrigado a participar de atividades de um grupo armado


Paluku tinha 12 anos quando foi sequestrado pelas Forças Democráticas Aliadas (ADF), grupo rebelde que matou sua mãe durante um ataque a uma aldeia no leste do Congo. Seus irmãos também foram capturados.


Durante dois meses, permaneceu em acampamentos na floresta, onde recebeu treinamento com armas e foi obrigado a participar de saques.


“Fui castigado com chicotadas porque me recusei a matar pessoas”, contou à AFP, em dezembro de 2025.


Mesmo após a libertação, Paluku continuava preocupado com a irmã, ainda em poder dos rebeldes. “Ela se tornou esposa de um dos chefes das ADF”, relatou.

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Acolhido em um centro de recuperação psicológica, o menino tenta superar a violência e a separação familiar.


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