Uma geração sob ataque
Bombardeios de Estados Unidos e Israel mataram 386 crianças no Irã e deixaram mais de 2 mil feridas até julho, segundo o UNICEF.
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Os bombardeios contra o Irã transformaram a rotina de milhares de crianças em uma sucessão de medo, deslocamentos e perdas familiares. Desde o início da ofensiva militar de Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro de 2026, ataques a áreas urbanas provocaram mortes, ferimentos e destruição de serviços essenciais.
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Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), 386 crianças haviam sido reportadas mortas e outras 2.117 feridas até 31 de julho. O levantamento reúne vítimas registradas durante os cinco primeiros meses de hostilidades.
Um dos episódios mais graves ocorreu no primeiro dia da ofensiva, quando um ataque atingiu a escola feminina Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab, no sul do país. Segundo o UNICEF, 168 meninas morreram. A maioria tinha entre 7 e 12 anos.
A destruição de escolas, hospitais e áreas residenciais ampliou as consequências humanitárias. Além das mortes e dos ferimentos, crianças passaram a enfrentar dificuldades de acesso à educação, atendimento médico e assistência psicológica.
O UNICEF informou que suas ações de resposta alcançaram mais de 2,1 milhões de pessoas com serviços essenciais de saúde. Outras iniciativas ofereceram água, saneamento e apoio psicossocial.
A agência reforçou a necessidade de proteger crianças, escolas e hospitais, conforme determina o direito internacional humanitário. Mesmo após a redução dos ataques, as consequências permanecem para milhares de famílias iranianas.
Para entender o conflito EUA x Irã
1979
Revolução Islâmica
A monarquia iraniana é derrubada e o aiatolá Ruhollah Khomeini assume a liderança da nova República Islâmica. As relações com os Estados Unidos se deterioram.
2015
Acordo nuclear
Irã e seis potências internacionais firmam um acordo para limitar o programa nuclear iraniano em troca da suspensão de sanções econômicas.
2018
Rompimento do acordo
Os Estados Unidos abandonam o pacto durante o primeiro governo de Donald Trump e restabelecem sanções. O Irã passa a ampliar atividades nucleares.
2025
Escalada militar
Israel e Estados Unidos realizam ataques contra instalações iranianas. Teerã responde militarmente, aprofundando a crise regional.
2026
Nova ofensiva
Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel iniciam ataques de grande escala contra o Irã. Teerã responde com mísseis e drones contra Israel e alvos na região.
Escola atingida
No primeiro dia dos bombardeios, um ataque destrói a escola feminina Shajareh Tayyebeh, em Minab, provocando numerosas mortes de estudantes.
Impasse prolongado
Após tentativas de cessar-fogo e negociações, permanecem divergências sobre o programa nuclear iraniano, as sanções e a segurança regional
“Nunca mais a vi”
Massoumeh Zakeri relembra a última noite com Motahareh, de 9 anos, morta no ataque à escola de Minab, no Irã.
Na última noite em que esteve com a filha, Massoumeh Zakeri ouviu Motahareh falar sobre as férias, os casamentos da família e as roupas que pretendia usar. A menina tinha 9 anos e estudava na escola Shajareh Tayyebeh, em Minab, no sul do Irã.
Era o período do Ramadã. Antes do amanhecer, Motahareh fez uma refeição e voltou a dormir. Na manhã seguinte, acordou antes dos pais e pegou o ônibus escolar.
“Nunca mais a vi”, contou Massoumeh, de 44 anos, à AFP, em agosto de 2026.
Naquele dia, 28 de fevereiro, começaram os bombardeios americanos e israelenses contra o Irã. Algumas horas depois, a mãe recebeu uma ligação pedindo que buscasse a filha na escola. Não conseguiu chegar a tempo. O prédio havia sido atingido.
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O corpo de Motahareh foi encontrado mais tarde. A identificação ocorreu por meio das pulseiras e dos brincos que usava. Massoumeh preferiu não ver os restos mortais para preservar a última lembrança que guardava da menina. “Ela era muito carinhosa, alegre e realmente cheia de energia”, recordou.