Um estudo recente projeta que a Nigéria pode registrar 31,4 mil mortes adicionais relacionadas ao calor entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027, liderando um ranking global de vulnerabilidade ao fenômeno climático conhecido como Super El Niño. O número é mais que o dobro do previsto para o Brasil, estimado em 13,3 mil óbitos, e faz parte de uma projeção maior que aponta para 451 mil mortes em todo o mundo devido às altas temperaturas.
A pesquisa, realizada pelo Climate Impact Lab da Universidade de Chicago e divulgada em setembro de 2026 pelo jornal britânico "The Guardian", acende um alerta sobre como os eventos climáticos extremos impactam desproporcionadamente as nações mais pobres. O caso da Nigéria ilustra uma combinação de fatores socioeconômicos e ambientais que amplificam os riscos do calor extremo para a população.
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O que é o Super El Niño?
O Super El Niño é uma versão intensificada do fenômeno climático El Niño. Ele ocorre quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial aquecem de forma anormal, alterando padrões de chuva e temperatura em escala global e provocando eventos climáticos extremos, como ondas de calor severas e secas prolongadas.
A ocorrência de 2026-2027 é considerada especialmente forte, o que eleva as temperaturas médias globais e intensifica seus efeitos em diferentes regiões do planeta. Esse aquecimento adicional agrava condições de saúde preexistentes e aumenta o risco de fatalidades por insolação e desidratação.
Por que a Nigéria é o país mais vulnerável?
A projeção de um número tão elevado de mortes na Nigéria não se deve apenas à intensidade do calor, mas a uma série de vulnerabilidades estruturais. A combinação desses fatores torna a população local mais suscetível aos efeitos do fenômeno climático. Os principais motivos são:
Infraestrutura precária: A rede elétrica instável e o acesso limitado à eletricidade dificultam o uso de ventiladores e ar-condicionado, itens essenciais para o alívio térmico.
Pobreza e moradia: Grande parte da população vive em moradias informais, muitas vezes superlotadas e construídas com materiais que retêm calor, transformando as casas em verdadeiras estufas.
Urbanização desordenada: As principais cidades nigerianas enfrentam alta densidade populacional e poucas áreas verdes, criando ilhas de calor que elevam ainda mais as temperaturas locais.
Dependência da agricultura: Milhões de nigerianos dependem da agricultura de subsistência, que é diretamente afetada por secas e ondas de calor, comprometendo a segurança alimentar e a renda.
Sistema de saúde limitado: Os serviços de saúde do país possuem capacidade restrita para lidar com um aumento súbito de emergências médicas, como casos graves de desidratação e insolação.
Qual o impacto do El Niño no Brasil?
Para o Brasil, a projeção de 13,3 mil mortes adicionais por calor também reflete as desigualdades regionais. O fenômeno tende a intensificar a seca na Região Norte e em parte do Nordeste, enquanto causa chuvas volumosas e enchentes no Sul do país. As ondas de calor, no entanto, afetam todas as regiões, com maior risco para idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas que vivem em áreas urbanas densas e com pouca infraestrutura.
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Como o estudo calculou as mortes por calor?
A projeção foi feita com base em modelos estatísticos que analisaram dados históricos de mortalidade. Os pesquisadores cruzaram informações sobre o aumento das temperaturas com o número de "mortes em excesso" — um indicador que mede o aumento de óbitos acima da média mensal registrada para o período entre 1996 e 2025. Esse modelo foi então aplicado ao cenário do Super El Niño de 2026-2027, considerado um dos mais fortes já registrados.
