PF investiga Flávio Bolsonaro por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro
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A campanha do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi abalada nesta sexta-feira (11) com a revelação de que a polícia o investiga por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro, a poucas semanas das eleições.
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a investigação de Flávio Bolsonaro por possíveis crimes "no contexto de financiamento para a produção" de "Dark Horse", filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de acordo com o documento judicial divulgado nesta sexta-feira.
O senador está empatado nas pesquisas para um provável segundo turno em outubro contra o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma campanha impactada nos últimos dias por uma crise sem precedentes no STF.
O candidato admitiu em maio ter solicitado transferências bancárias milionárias para o filme ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso por um mega esquema de fraude financeira.
"Dark Horse", que ainda não foi lançado, é estrelado pelo ator americano Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro.
Após perder a eleição presidencial de 2022 para Lula, o ex-presidente foi condenado por tentativa de golpe de Estado e está preso desde 2025.
A polícia investiga se o dinheiro de Vorcaro foi usado, na verdade, para financiar outro filho de Jair Bolsonaro, Eduardo, que vive nos Estados Unidos e foi condenado no Brasil por coação no julgamento contra seu pai, explicou uma fonte do Supremo à AFP.
A PF solicitou uma investigação contra Flávio Bolsonaro por "possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros" em relação ao financiamento de "Dark Horse", de acordo com a decisão judicial consultada pela AFP.
Com a aprovação do Ministério Público, o ministro André Mendonça autorizou a investigação do candidato.
A AFP entrou em contato com a campanha de Flávio, mas ainda não recebeu resposta.
- Crise suprema -
Em maio, o site Intercept Brasil divulgou mensagens de áudio de Flávio Bolsonaro para Vorcaro, em tom de intimidade, nas quais Flávio supostamente pedia dinheiro para financiar a cinebiografia sobre seu pai.
O candidato inicialmente negou qualquer vínculo com o banqueiro, mas depois admitiu ter solicitado dinheiro e negou irregularidades.
Vorcaro, que acabou sendo preso, era proprietário do Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central e deixou dívidas superiores a R$ 40 bilhões, afetando aproximadamente 800 mil investidores em um dos maiores escândalos financeiros da história do Brasil.
A investigação sobre o Master revelou, nos últimos meses, os vínculos do banqueiro com ministros e políticos de diferentes matizes ideológicas.
Na semana passada, desencadeou uma crise no Supremo quando Mendonça, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, solicitou uma investigação sobre as mensagens de Vorcaro para um número de telefone atribuído ao seu colega, o ministro Alexandre de Moraes.
Moraes presidiu o julgamento de 2025 que levou à prisão de Jair Bolsonaro.
A decisão de Mendonça foi seguida por diversas ações hostis entre os ministros do Supremo, incluindo a remoção e reintegração do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Na tentativa de conter a crise, o presidente do STF, Edson Fachin, ordenou na quinta-feira que o ministro Mendonça revogasse o sigilo processual do caso Master.
Essa decisão revelou, nesta sexta-feira, que a polícia está investigando Flávio Bolsonaro.
O presidente Lula havia exigido o fim do sigilo judicial em torno do caso.
A crise no STF colocou a campanha de Lula na "defensiva", disse uma fonte do governo sob condição de anonimato.
A fonte afirmou que, embora os acontecimentos "não tenham a ver" com o presidente, são difíceis de explicar a um eleitorado que associa o ministro Moraes ao antibolsonarismo.
Lula admitiu ter se reunido com Vorcaro uma vez, antes do caso Master vir à tona.
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ffb/mar/lbc/aa/mvv