Internacional

Diretora de ONG teme mais repressão na Rússia após eleições

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A diretora da ONG russa de defesa dos direitos humanos Memorial, premiada com o Nobel da Paz, disse à AFP que teme uma nova onda de repressão após as eleições legislativas deste mês na Rússia.

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Em entrevista exclusiva concedida nos Países Baixos, Elena Zhemkova, 65, manifestou sua vontade de continuar lutando pelos direitos humanos na Rússia, embora sua organização tenha sido declarada ilegal e ela tenha precisado se exilar.

"Infelizmente, acho que a situação está piorando, mas não muito rapidamente", disse Elena. "Mas veremos uma piora clara após as eleições."

No mês passado, a Suprema Corte russa proibiu o Yabloko, único partido abertamente contrário à guerra, de disputar as eleições, das quais praticamente não participará nenhum partido hostil ao presidente Vladimir Putin.

"Mais pessoas serão detidas por motivos inúteis e enviadas para a prisão. Buscam prender pessoas. Para eles, a prisão é um caminho para a frente [da guerra contra a Ucrânia]", afirmou a ativista.

Em 2022, a Memorial dividiu o Nobel da Paz com o Centro Ucraniano para as Liberdades Civis e com o ativista bielorrusso detido Ales Bialiatski. A ONG foi fundada em 1989 e há três décadas expõe detalhes dos expurgos stalinistas e documenta a repressão de Vladimir Putin na Rússia. No ano passado, foi dissolvida pela Justiça russa.

Elena abandonou seu país e vive em Berlim, de onde dirige a organização. “Quanto mais tentarem silenciar a Memorial ou apagar seu nome na Rússia, mais forte ela vai ressoar no exterior”, afirmou em Amsterdã, paralelamente à exposição “Artistas contra o Kremlin: a Memória Continua", no centro cultural De Balie.

A mostra apresenta obras de artistas forçados a se exilar, reprimidos ou perseguidos. Segundo Elena, ela ilustra o trabalho que a Memorial realiza fora da Rússia. "Se não compreendermos o passado e não aprendermos com ele, repetiremos os erros, e tanto o nosso presente quanto o nosso futuro serão terríveis."

- 'Propaganda sofisticada' -

No momento em que a Rússia parece intensificar sua ofensiva na Ucrânia e testa a união ocidental com ataques "híbridos" na Europa, Elena pede uma resposta firme. Quando a Europa hesita, Putin "vê uma fragilidade. Para ele, o que isso significa? Que a vitória está ao alcance das mãos e que deve-se ir mais longe", afirmou.

A ativista denunciou a existência na Rússia de "um mecanismo repressivo imenso" e "uma propaganda muito poderosa e sofisticada". Nesse sentido, citou um projeto que buscaria substituir o Museu do Gulag de Moscou por uma nova mostra sobre os crimes nazistas cometidos contra a União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial.

"Isso é apenas parte do que fazem. Infelizmente, o processo de reescrever a história é muito mais amplo, muito mais profundo. Trata-se também da destruição de monumentos", acrescentou Elena, que disse se sentir segura em Berlim, embora esteja longe de seus amigos e de sua família, espalhada atualmente por oito países.

Embora a situação na Rússia pareça piorar a cada dia, Elena permanece esperançosa. "Tentamos explicar que nem todos se tornaram criminosos. Que existe outra Rússia, mesmo hoje", disse à AFP.

O que anima Elena é a coragem de seus companheiros militantes e a criatividade de alguns artistas na hora de protestar, como os que expõem em Amsterdã. As peças da mostra frequentemente contam a história triste e trágica da repressão, ressaltou. "Mas o outro lado dessas obras sempre conta uma história de solidariedade, amor, amizade e família."

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burs-ric/cvo/jvb/erl/lb/am

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