UE não digere convite dos EUA para ministro russo ao G20
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O comissário europeu da Economia, Valdis Dombrovskis, considerou inapropriada a presença do ministro russo das Finanças na reunião do G20 organizada pelos Estados Unidos, e declarou que "não é o momento de normalizar" as relações com Moscou.
O ministro russo, Anton Siluanov, apareceu de surpresa na segunda-feira na mesa na qual estava reunida uma dezena de autoridades em Ashville, na Carolina do Norte.
"Parece-me que a posição da Europa é conhecida", disse Dombrovskis à imprensa nesta terça-feira (1º). "Não pensamos que seja o momento de normalizar a Rússia", nem sua presença nestes encontros, acrescentou.
"Pessoalmente, sempre me pareceu incômodo tratar temas sensíveis com representantes de regimes que conduzem uma guerra e que diariamente matam civis", disse o comissário europeu, aludindo ao conflito entre Rússia e Ucrânia.
O vice-chanceler e ministro das Finanças alemão, Lars Klingbeil, também abordou a ofensiva russa. "Nas últimas semanas e meses, temos testemunhado um aumento nos brutais ataques com foguetes contra a população civil", disse a jornalistas nesta terça-feira. "Isso precisa parar", enfatizou.
Klingbeil afirmou que ele e outros ministros europeus deixaram sua posição sobre a Ucrânia "absolutamente clara".
Enquanto os líderes do G7 se reuniam na noite de segunda-feira, ele afirmou que o ministro das Finanças ucraniano participou remotamente das conversas sobre o apoio a Kiev.
Siluanov, por sua vez, se reuniu na segunda-feira com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anfitrião do encontro.
O bloco europeu conseguiu que o ministro russo ficasse de fora da foto de família. Dombrovskis destacou que "pressionou" seus pares para aumentarem a ajuda financeira à Ucrânia.
Moscou intensificou os ataques a Kiev neste verão boreal, mais de quatro anos e meio depois do início da invasão russa à Ucrânia.
As negociações auspiciadas pelos Estados Unidos seguem congeladas, enquanto o Kremlin mantém suas exigências maximalistas para pôr fim à guerra.
- Um G20 tenso -
Os comentários do funcionário europeu ocorrem enquanto os ministros das Finanças e os governadores de bancos centrais do Grupo dos 20 se preparam para iniciar seu segundo dia de reuniões, com questões como os "desequilíbrios" econômicos na agenda.
O tema central aponta para as preocupações com o excesso de capacidade industrial da China e o que Washington considera "práticas comerciais desleais".
Os encarregados de finanças das principais economias globais se reúnem desde segunda-feira nesta cidade das Montanhas Blue Ridge.
Mas suas conversas foram ofuscadas pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, as tarifas do presidente Donald Trump e a frustração dos líderes europeus pelo comparecimento inesperado do ministro das Finanças russo.
- Avanços difíceis -
Com os Estados Unidos à frente da presidência rotativa do G20, Washington vem tentando mobilizar seus parceiros a aumentar a pressão econômica sobre o Irã e encontrar vias para impulsionar o crescimento global.
O G20 é composto por 19 países, mais a UE e a União Africana, e foi criado após a crise financeira asiática de 1997-1998 para fortalecer a estabilidade econômica e financeira mundial.
Com todos os olhares voltados para a capacidade do grupo para abordar conjuntamente os grandes problemas econômicos, os funcionários americanos pressionaram para alcançar um acordo sobre um comunicado final conjunto.
As conversas do G20 sobre finanças servem como antessala para a cúpula de líderes, que Trump convocará em dezembro em Miami.
Mesmo assim, "muito poucas reuniões recentes do G20 produziram avanços significativos, e é pouco provável que esta consiga", ressaltou James Lindsay, do think-tank Council on Foreign Relations.
Lindsay disse à AFP que há "diferenças significativas" entre os ministros do G20, entre elas sobre como abordar o excesso de capacidade manufatureira da China e as sanções ao Irã.
O convite de Washington a Siluanov "certamente não ajuda os esforços dos Estados Unidos para somar os europeus" na hora de aumentar a pressão sobre o Irã ou fomentar a aceitação das políticas econômicas de Trump, acrescentou.
Também há descontentamento com a exclusão este ano da África do Sul, membro do G20, disse Lindsay.
Embora os líderes possam alcançar acordos sobre temas como a inteligência artificial, incluídos na agenda formal dos Estados Unidos, persistem grandes diferenças entre Washington e Pequim, assim como com seus aliados, entre eles o vizinho Canadá, acrescentou.
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