Inundações catastróficas na região do Himalaia entre o Nepal e o Tibete chinês mataram ao menos 160 pessoas nesta quarta-feira (26/8), segundo autoridades locais. Quase 400 pessoas estão desaparecidas. Casas e estradas foram destruídas, pontes arrastadas pela correnteza e vilarejos inteiros ficaram submersos em lama.

A causa da enchente ainda não foi esclarecida, e a dimensão do desastre ainda é incerta. Informações preliminares indicam que um terremoto teria atingido a região e provocado uma avalanche de gelo e rochas, causando as inundações.

Segundo o órgão de turismo do Nepal, ao menos 384 pessoas estão desaparecidas, dos quais 341 estrangeiros. O grupo inclui 105 indianos, 12 britânicos e três americanos, além de cidadãos da Austrália, Holanda, Malásia e África do Sul. O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, afirmou que equipes da polícia e do Exército se uniram aos esforços de resgate.

Casas e estradas foram arrastadas. No Tibete, autoridades disseram temer "grandes perdas humanas", depois que um deslizamento de terra atingiu o porto de Gyirong, na fronteira entre os dois países. Imagens captadas por câmeras de segurança mostram pessoas correndo segundos antes de a terra atingir o local, soterrando veículos e destruindo a estrutura.

No Nepal, helicópteros de resgate não conseguiram pousar nas áreas afetadas de Syapru Besi e Timure, no distrito montanhoso de Rasuwa, que tem cerca de 50 mil habitantes, porque o Rio Bhote Koshi transbordou.

O porta-voz do Exército nepalês, Raja Ram Basnet, disse que os helicópteros só poderão pousar no local quando o nível da água baixar.

Imagens exibidas na televisão mostraram casas destruídas em meio à enchente, carros à deriva e uma ponte metálica sendo levada pela correnteza. Testemunhas relataram à Reuters que a água engoliu vilarejos inteiros.

O administrador distrital (equivalente a prefeito) Narendra Pariyar pediu que moradores das margens do Bhote Koshi deixassem as áreas mais baixas e se deslocassem para locais mais altos.

"Há devastação para onde quer que a gente olhe", disse à Reuters Tula Bahadur BK, agente de saúde em Rasuwa. Segundo ele, os povoados às margens do rio foram completamente destruídos, e cinco de seus próprios parentes estão desaparecidos.

As autoridades alertaram que uma segunda inundação pode ocorrer, pois um bloqueio ainda permanece em um trecho do rio Lhende Khola. Alertas de enchentes também foram emitidos nos estados indianos de Bihar e Uttar Pradesh, que fazem fronteira com o Nepal, já que vários rios descem do Himalaia em direção às planícies dessas regiões.

Rastro de destruição

As imagens do deslizamento de terra atingindo o porto de Gyirong, que é importante passagem de fronteira terrestre entre os dois países, viralizaram nas redes sociais. O vídeo foi captado por câmeras de segurança.

O deslizamento bloqueou estradas e cortou o fornecimento de energia na região. O porto fica situado às margens do rio Kyirong Tsangpo, a cerca de 1.850 metros de altitude, no fundo de um desfiladeiro do Himalaia.

O dirigente da China, Xi Jinping, pediu esforços totais nas buscas pelos desaparecidos, além do reforço dos sistemas de monitoramento e alerta antecipado para evitar novos desastres.

O Ministério da Energia do Nepal informou que 430 megawatts do fornecimento de eletricidade do país foram afetados, a maior parte proveniente de usinas hidrelétricas – o equivalente a mais de 12% da capacidade hidrelétrica total do país, de 3,2 gigawatts, segundo cálculo da Reuters.

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O desastre agrava os problemas do governo recém-eleito do Nepal e de seu primeiro-ministro de 36 anos, Balendra Shah, que chegou ao poder impulsionado por um movimento de protesto liderado por jovens no ano passado. O ministro da Educação, Sasmit Pokharel, afirmou que o país pediu ajuda a seus dois vizinhos, China e Índia, para reforçar as operações de resgate.

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