PEREIRA, COLÔMBIA (FOLHAPRESS) - O silêncio, pedido inúmeras vezes nos primeiros dias após o forte terremoto que atingiu a Colômbia na segunda (10/8), foi dando lugar ao barulho de maquinário pesado removendo escombros e de caminhões levando para longe os pedaços de prédios que desmoronaram.
A mudança no cenário aponta para a redução das chances de encontrar sobreviventes vários dias após o tremor que atingiu com força o Eje Cafetero (Eixo Cafeeiro), na Colômbia, e teve epicentro na região de Chocó.
Em Pereira, uma das cidades com mais mortos no terremoto, o objetivo agora é basicamente localizar corpos, afirmaram à Folha, nessa sexta (14/8), resgatistas que trabalhavam sobre os destroços.
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Ainda assim, cães farejadores continuam sendo usados em edifícios onde as operações estão em andamento. Nessa sexta, a reportagem esteve em um dos locais onde os animais estavam presentes.
Embora sejam raros, há casos de pessoas encontradas vivas sob escombros mais de uma semana após os sismos. Também é preciso considerar que há cães treinados para identificar pessoas vivas e outros, especificamente, para localizar corpos.
Nas regiões mais afetadas de Pereira, como a área central, a cena de retroescavadeiras retirando entulho e até derrubando restos de edifícios condenados se repete. Em uma dessas ruas — várias delas bloqueadas ao trânsito de carros e pessoas-, na quinta (13/8), o maquinário juntava os escombros no meio da pista.
Um dos responsáveis por impedir a passagem pedia a quem se aproximava que fosse embora e não tirasse fotos. Segundo ele, a medida tinha como objetivo evitar a possibilidade de que imagens de corpos fossem feitas no local. O mesmo homem disse que, sob o calor do sol a pino em Pereira, era possível sentir, nos arredores da montanha de entulho, o odor de morte.
Em frente à praça Bolívar, em Pereira, na região central, onde um prédio foi filmado caindo durante o terremoto, produzindo uma imagem desesperadora, os escombros permanecem, mas já não há movimentação nos arredores. A Folha esteve na praça na quinta-feira.
O local, agora silencioso, mas não por pedidos de socorristas, está completamente isolado, sem a presença de voluntários — à exceção de alguns que distribuem comida e bebida — ou de equipes de resgate.
Se a busca por sobreviventes se torna cada vez mais difícil, outras questões relacionadas ao pós-terremoto começam a ganhar importância. Pereira agora tem um número significativo de desalojados.
Diante desse cenário, a Prefeitura instalou abrigos provisórios em diversos pontos e parques da cidade. Um deles fica em uma área central, no parque Olaya Herrera, próximo a uma estação do Megacable, o sistema de teleférico usado como meio de transporte.
O local, além de funcionar como abrigo, oferece atendimento médico e psicológico, três refeições por dia fornecidas pela Prefeitura, medicamentos e diversos itens básicos para o dia a dia. Há também banheiros separados para homens, mulheres e crianças.
Uma área é destinada às crianças, que podem brincar, desenhar e assistir a filmes infantis em um horário determinado. No local, a professora Mariana Salcedo, 21, corre de um lado para o outro, atendendo aos chamados constantes e organizando as caixas de brinquedos. Animais também são bem-vindos.
Segundo Carolina Palacios, coordenadora do abrigo, cerca de 152 pessoas vivem atualmente no local. Novas admissões ainda podem ocorrer, mas a orientação, neste momento, é reservar as vagas disponíveis para pessoas que estejam em situação de maior vulnerabilidade, como mulheres com crianças.
Sebastian Valencia, 18, e sua mulher, Daiana Diaz, 27, esperam em frente à entrada controlada do abrigo pela aprovação de sua permanência. Com eles estão a filha recém-nascida, de 1 mês, e outra filha, de 3 anos.
Os dois dizem que pagavam 25 mil pesos (pouco mais de R$ 40) por dia para viver em um quarto de um hotel que desabou.
Enquanto isso, dentro do abrigo, outra mulher, acompanhada de três crianças, é consolada pela equipe médica na tenda de pediatria. Um profissional de saúde a encontrou em um parque sob um plástico, chorando copiosamente junto às crianças.
Profissionais de saúde mental e pediatras tentavam convencê-la a permanecer no abrigo. Ao ser encaminhada para dentro, porém, ela começou a chorar e quis ir embora com as crianças. Funcionários do local a acompanharam e ainda tentariam convencê-la a permanecer.
Nem todos, de fato, querem ficar nos abrigos. Alguns não se sentem confortáveis, por exemplo, em seguir as regras do local. Uma vez dentro, não é permitido entrar e sair livremente: é preciso permanecer ali.
Ao redor das tendas brancas que formam o abrigo, uma nova aglomeração de pessoas se formou. Barracas de camping ocupam boa parte do parque Olaya Herrera. Afinal, ali estão concentrados diversos serviços essenciais em uma situação crítica como a de um pós-terremoto de grande magnitude.
Após algum tempo de espera, Sebastian e Daiana foram aceitos no local. Entraram e abriram dois colchonetes no chão. Ele bateu a roupa de cama, como se a limpasse, e os dois se instalaram depois de receber um kit de higiene.
Presidente visita Pereira
Pela segunda vez desde o terremoto, o recém-empossado presidente Abelardo de la Espriella esteve em Pereira. Nessa sexta, sua agenda apontava que ele passaria por alguns dos pontos mais afetados da cidade, como o parque La Libertad, a Praça Bolívar e o prédio Invico.
Em pronunciamento, Abelardo disse que há 94 mortos somente em Pereira e outros 260 desaparecidos. Também disse haver 140 mil pessoas afetadas na cidade. E também citou
260 pessoas resgatadas. No total, ao menos 287 pessoas morreram em decorrência do sismo.
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O presidente se reuniu com autoridades de Pereira. "Não há nenhum município do estado de Risaralda [onde está Pereira] onde não há chegado ajuda", disse Abelardo. "Essa circunstância de Pereira e do estado requer uma atuação especial. Por isso, tudo que necessita essa terra maravilhosa para sua reconstrução será incluído no decreto de emergência econômica que apresentarei."
