Chefe de Conselho da Paz de Trump diz que Gaza pode desaparecer de vez
O político búlgaro afirmou que a situação humanitária e geográfica da região atingiu um ponto crítico; novos ataques aéreos de Israel matam oito
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O chefe do Conselho de Paz, criado por Donald Trump, Nikolay Mladenov, afirmou, em entrevista ao canal Al Jazeera English neste sábado (29/9), que a Faixa de Gaza pode desaparecer se continuar na situação que vive hoje. “Se permitirmos que Gaza continue na situação que está agora, com metade sob controle total de Israel e a outra metade com pessoas apertadas em um pequeno espaço, Gaza vai desaparecer para sempre”, disse.
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Ele convidou a comunidade internacional a “focar na situação” e disse que, caso qualquer um dos lados descumpra o acordo em curso, a guerra pode voltar. “Não há alternativa melhor ao plano atual”, disse ele, ao reforçar que voltar a guerra seria devastador, mencionando o risco de um espiral de violência com consequências graves. O alerta, segundo ele, vale para as duas partes envolvidas no conflito.
Mladenov afirmou que o Conselho de Paz definiu como será a atuação de uma força internacional de estabilização em Gaza. "Determinamos o mecanismo para mobilizar a Força Internacional de Estabilização (ISF) e seus locais de implantação na Faixa de Gaza”, explicou.
A proposta citada por Mladenov prevê a criação de um comitê nacional palestino para a administração de Gaza. A ideia é formar uma autoridade tecnocrática e sem ligação com facções para tocar o dia a dia civil do território.
Esse comitê teria como missão manter serviços públicos e coordenar a reconstrução local. Pelo desenho apresentado, a estrutura atuaria de forma independente do Hamas e de outros grupos políticos.
O plano, porém, exige o desarmamento completo do Hamas antes da retirada das tropas de Israel, condição essa que o grupo palestino se recusa a cumprir se Israel não ceder primeiro.
A fala de Mladenov vem logo após novos ataques aéreos de Israel, que deixaram oito mortos na sexta-feira (28/8), atingindo tanto alvos na Faixa de Gaza quanto na Cisjordânia ocupada.
Nos arredores de Khan Younis, três pessoas da mesma família morreram após a casa onde moravam ser bombardeada. As Forças de Defesa Israel afirmaram não ter conhecimento dessa operação específica.
Na Cidade de Gaza, dois ataques distintos mataram dois civis, que tiveram suas mortes confirmadas no Hospital Shifa. O exército israelense afirma que mirava em estruturas ligadas ao Hamas na região.
Na Cisjordânia, em uma operação considerada altamente incomum para o território, drones de Israel bombardearam um veículo nos arredores de Jenin. O ataque matou três militantes palestinos. Entre eles estava Qais Bitawi, acusado por Israel de atuar no avanço de atividades terroristas junto ao Hamas.
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Embora o acordo de cessar-fogo assinado em outubro tenha diminuído os combates terrestres de alta intensidade, Israel mantém uma rotina de bombardeios pontuais sob a justificativa de neutralizar ameaças iminentes e impedir o rearmamento de grupos armados.