Migrantes deportados buscam regularizar situação no México e viver perto dos EUA
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Uma caravana de migrantes avançava nesta sexta-feira (21) pelo sul do México: seu destino é a capital mexicana, e não os Estados Unidos, de onde muitos foram deportados.
O objetivo é regularizar sua situação e se estabelecer na capital ou na região fronteiriça para ficar perto de seus familiares que ainda vivem lá.
Sob o lema "sonho sem fronteiras", a coluna de mais de 500 pessoas partiu da cidade de Tapachula, em Chiapas, na fronteira com a Guatemala e onde organizações civis estimam que haja milhares de estrangeiros retidos à espera de documentos.
Diante das duras políticas migratórias do presidente americano, Donald Trump, esses contingentes desistem de atravessar ilegalmente a fronteira e agora buscam oportunidades de trabalho em alguma cidade grande ou localidade do norte do México.
"Quero me aproximar da fronteira com os Estados Unidos para ficar perto de lá, pois deixei tudo lá, família, carro, tudo", contou a jornalistas o cubano Frank Martínez, que em maio foi deportado após viver 26 anos no Arizona, onde trabalhava na construção civil.
Ele explicou que um amigo da Cidade do México lhe oferece um emprego melhor. Deixou Tapachula, onde mal recebe o suficiente para comprar a comida do dia.
"Quero voltar" aos Estados Unidos, "mas vou esperar até que ele (Trump) saia", disse.
A hondurenha Angélica Alberto enfrenta uma situação semelhante, pois foi deportada após viver 27 anos na Califórnia, onde deixou seis filhos com seu ex-companheiro.
"Por meus bebês, vou para o norte", disse a mulher, "para a Baixa Califórnia", onde também está "o amor da minha vida", um mexicano que também foi deportado.
José Luis Guerrero é um venezuelano que foi deportado em duas ocasiões: em dezembro de 2025 e agora, em 2 de agosto passado.
"Voltei a entrar por causa da minha família, que está lá, e me deportaram novamente", disse, ao afirmar que, "por enquanto", não tentará retornar aos Estados Unidos.
Ele busca chegar à Cidade do México para regularizar sua situação e encontrar um emprego.
O fluxo de migrantes caiu drasticamente no segundo mandato de Trump, que, por meio de ameaças tarifárias, exige que o México exerça um controle maior de suas fronteiras.
Segundo dados de julho passado do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, as detenções de migrantes pela Patrulha de Fronteira caíram 94% no segundo mandato de Trump.
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