Ondas de calor, secas e incêndios alimentam 'ecoansiedade' na França
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"Tive que parar de trabalhar, não conseguia pensar em outra coisa". Como milhões de franceses, André, de 32 anos, sofre de "ecoansiedade" em um verão marcado por ondas de calor sem precedentes, incêndios e secas que alimentam uma "sensação de apocalipse".
A pesquisadora belga-canadense Véronique Lapaige definiu, em 1996, o termo "ecoansiedade" como "um fenômeno híbrido e um mal-estar identitário" ligado à consciência das transformações do planeta e à dificuldade de se projetar nele.
Segundo um estudo oficial de 2025, 16,6 milhões de franceses apresentam sintomas de sofrimento psicológico relacionados ao meio ambiente, especialmente entre pessoas de 25 a 34 anos.
A Europa Ocidental registrou o início de verão mais quente já observado, e a França bateu um recorde, com 52 dias de onda de calor desde meados de junho, distribuídos em três episódios, um dos quais ainda não terminou.
André, que prefere permanecer anônimo por causa de seu trabalho e por sentir vergonha, precisou tirar licença médica durante a onda de calor de junho, após sofrer "fortes crises de angústia".
"Estava completamente paralisado e não conseguia me concentrar", conta o engenheiro, especialmente preocupado com os "próximos verões".
Os incêndios florestais devastadores e as ondas de calor deste verão "aumentaram em 2,6 milhões o número de pessoas que sofrem de ecoansiedade", afirmou à AFP Pierre-Éric Sutter, diretor do Observatório da Ecoansiedade, com base nos primeiros resultados de um estudo que será publicado em setembro.
- "Sensação de apocalipse" -
O aumento dessa angústia climática preocupa as autoridades francesas, que lançaram no fim de julho uma campanha intitulada "Como lidar com a ecoansiedade?".
Sutter distingue sete graus de ecoansiedade, que vão da preocupação ao desenvolvimento de pensamentos suicidas.
"A ecoansiedade não é uma doença, mas pode adoecer", explica o especialista, que recomenda, entre outras medidas, grupos de apoio para que as pessoas percebam que não estão sozinhas.
Esse é o objetivo da associação Makesense, que desde 2025 organiza encontros para discutir esses temores.
"Neste verão, tive uma sensação de apocalipse. Tive que abandonar as redes sociais, estava paralisado de medo diante da ideia de ver as notícias", conta Cyril Chedeville, de 59 anos, originário de uma região afetada por incêndios.
Segundo Anne-Catherine Lanchou, médica e palestrante sobre ecoansiedade, a recuperação passa por quatro eixos, entre eles a regulação das emoções.
Mas, "na maioria dos casos", engajar-se em uma causa ambiental é uma etapa fundamental. "Começamos a melhorar quando passamos à ação, quando pensamos: 'Eu também tenho um papel a desempenhar'", afirma.
Albane, de 39 anos, direcionou toda a vida profissional para a questão ambiental após desenvolver ecoansiedade durante uma aula sobre mudanças climáticas em 2010. Hoje, trabalha como consultora de desenvolvimento sustentável para empresas.
O objetivo, reconhece, não é eliminar o medo: "É aprender a viver com ele".
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