Cubanos dormem em terraços e espaços públicos devido ao calor e aos apagões
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Com os ventiladores parados devido aos apagões e às altas temperaturas do verão transformando as casas em fornos, cada vez mais cubanos passam as noites em terraços, varandas e espaços públicos em busca de uma brisa que lhes permita dormir.
Todas as tardes em Havana, Alexis Miján espera, ao lado do filho cego, que o sol comece a desaparecer atrás dos edifícios de Centro Habana para subir ao terraço do prédio onde mora.
Quando os apagões começaram a se agravar no início do ano, os dois decidiram dormir ao ar livre. Logo, outros vizinhos se juntaram a eles.
"Quase todo o prédio veio para cá" para dormir, conta à AFP o homem de 59 anos, enquanto estende um lençol e arruma dois travesseiros sobre uma caixa-d'água vazia, acima do terceiro andar do edifício.
Ao longo dos meses, o terraço se transformou em um dormitório coletivo. Entre caixas-d'água, tubulações e varais, cada família ocupa seu próprio espaço. A divisão é informal, mas todos a respeitam.
"Aqui, dividimos os cantinhos", explica.
Quando a noite cai sobre Havana, Miján observa do alto a cidade se apagar. Ao longe, restam apenas alguns pontos de luz dispersos em meio à escuridão.
- Sem fim -
O silêncio nunca é completo: ouve-se o ruído intermitente de geradores particulares, latidos de cães e, de vez em quando, o som seco de peças de dominó batendo.
A situação na ilha de 9,4 milhões de habitantes é considerada a mais crítica em décadas. Desde janeiro, o endurecimento das sanções americanas e a escassez de combustível agravaram uma crise energética que provoca cortes de energia e afeta o abastecimento de água, o transporte e outros serviços básicos.
O terraço de Miján está longe de ser uma exceção.
Em Havana, terraços, parques e varandas ficam cheios todas as noites de pessoas deitadas sobre papelões, colchões ou diretamente no chão.
À beira-mar, o famoso muro do Malecón de Havana deixa de ser, ao anoitecer, um passeio para turistas ou casais.
Dezenas de pessoas se acomodam sobre o concreto ainda quente depois do pôr do sol. Enquanto algumas contemplam a escuridão do Estreito da Flórida, outras tentam dormir aproveitando a brisa do mar.
Lençóis, mochilas e pessoas deitadas transformam durante algumas horas o emblemático calçadão à beira-mar em um dormitório improvisado ao ar livre.
Ao amanhecer, os alarmes dos poucos celulares que ainda têm bateria acordam, um a um, os moradores que dormem no terraço.
"Não vejo fim para isso", lamenta Miján, enquanto recolhe o lençol e os travesseiros antes de seguir para seu trabalho como estoquista. Embora tenha sido professor de Sociologia, Miján abandonou a profissão em busca de uma renda melhor.
Em um país sem combustível e com apenas algumas horas de eletricidade por dia - ou nenhuma -, o descanso noturno se tornou um luxo ao qual poucos cubanos têm acesso.
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