Desde que assumiu a presidência da Argentina em dezembro de 2023, Javier Milei tornou-se o símbolo mais visível da ultradireita na América Latina. Após mais de dois anos de governo, seu impacto e o avanço de ideias semelhantes em outros países mostram que o fenômeno não era isolado, mas sim uma força política consolidada na região.

Essa nova onda política se distancia da direita tradicional ao adotar uma postura mais confrontadora e populista. A comunicação direta com o eleitorado, principalmente por meio das redes sociais, é uma marca registrada, contornando a imprensa e as instituições estabelecidas. A defesa de valores conservadores nos costumes e uma forte oposição a pautas progressistas também são pilares centrais.

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O que caracteriza a nova direita na América Latina?

A nova direita latino-americana é caracterizada por uma combinação de liberalismo econômico radical, conservadorismo nos costumes e um forte discurso nacionalista e anti-establishment. Seus líderes frequentemente criticam o globalismo, as instituições políticas tradicionais e o que chamam de "marxismo cultural".

As principais bandeiras compartilhadas por esses movimentos incluem:

  • Estado mínimo: defesa de privatizações amplas, desregulamentação da economia e cortes drásticos nos gastos públicos.

  • Segurança pública: propostas de "mão de ferro" contra a criminalidade, com endurecimento de penas e maior poder para as forças policiais.

  • Pautas de costumes: oposição a temas como a legalização do aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e políticas de identidade de gênero.

  • Nacionalismo: exaltação de símbolos pátrios e um discurso de proteção das fronteiras e dos interesses nacionais.

Quem são os principais nomes da ultradireita na região?

Além de Milei, outras figuras políticas se destacam no cenário da ultradireita e da direita populista na América Latina. Cada um, com suas particularidades, representa esse avanço em seus respectivos países.

José Antonio Kast (Chile)

Advogado e fundador do Partido Republicano, Kast concorreu às eleições presidenciais chilenas em 2017, 2021 e 2025. Após perder no segundo turno em 2021, venceu a eleição de dezembro de 2025 contra Jeannette Jara e tomou posse como presidente do Chile em março de 2026, marcando o retorno da extrema direita ao poder no país pela primeira vez desde o fim da ditadura de Pinochet.

Nayib Bukele (El Salvador)

Reeleito para um segundo mandato em 2024, o presidente de El Salvador é frequentemente associado a essa corrente por seu estilo de governo autoritário e populista. Sua política de segurança de "mão de ferro", que resultou em uma queda drástica nos índices de criminalidade, lhe rendeu enorme popularidade, mas também contínuas acusações de violações de direitos humanos.

Jair Bolsonaro (Brasil)

O ex-presidente brasileiro é uma das figuras mais emblemáticas do movimento na região. Seu governo (2019-2022) foi pautado por uma agenda conservadora nos costumes e liberal na economia. Além de declarado inelegível pelo TSE até 2030, Bolsonaro foi condenado pelo STF, em setembro de 2025, a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma trama golpista para se manter no poder após a derrota eleitoral de 2022, e atualmente cumpre a pena em prisão domiciliar por razões de saúde.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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