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Participação de opositora Machado em diálogos na Venezuela é 'fundamental', diz ex-ministro

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A participação da líder opositora María Corina Machado no diálogo político que começa no sábado na Venezuela é "fundamental", afirmou Alejandro Fleming, ex-ministro do presidente deposto Nicolás Maduro e seu antecessor, Hugo Chávez, em entrevista à AFP.

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A captura de Maduro em uma operação militar americana em janeiro permitiu que o país "mudasse", admitiu Fleming, ex-embaixador perante a União Europeia e ex-vice-ministro das Relações Exteriores.

Sete meses depois, o governo da presidente interina Delcy Rodríguez iniciará em 1º de agosto negociações com um grupo de opositores apoiados por Washington para o "fortalecimento da democracia". 

Muitos esperam que os diálogos levem a eleições e a uma transição política.

"O que for decidido nesta negociação vai contribuir para a redemocratização da Venezuela", disse Fleming. E a "observação" de Estados Unidos "é uma garantia de que os acordos que forem alcançados sejam cumpridos".

Machado, a principal líder da oposição na Venezuela e ganhadora do prêmio Nobel da Paz, não vai participar do diálogo.

A oposição será representada por ex-deputados da Assembleia Nacional de 2015 que Washington reconhece como eleitos de forma legítima.

O ex-ministro, que rompeu com Maduro em 2016, não é alinhado a Machado. Mas para que o diálogo tenha legitimidade, acredita que "é fundamental que María Corina Machado, que hoje é a líder política de maior relevância na Venezuela, ou participe das negociações ou nomeie um representante".

Segundo Fleming, devem ficar de fora da agenda como a censura perene à imprensa e a libertação de quase 400 presos políticos ainda atrás das grades, segundo dados da ONG Fórum Penal. "Isso não deve ser abordado porque os direitos humanos não se negociam", afirmou.

- Colonialismo americano? -

Ao contrário, os temas do diálogo devem ser "estruturais" em um país com instituições "desprestigiadas", como o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), afirmou.

"Essa mesa de negociação deve abordar o tema das instituições e como fazer com que as instituições voltem a ser confiáveis e democráticas, mas fundamentalmente confiáveis para os venezuelanos", avaliou Fleming, de 52 anos. 

Acusado de servir ao chavismo, o CNE proclamou Maduro vencedor das eleições presidenciais de 2024 sem apresentar resultados detalhados.

A oposição denunciou fraude e reivindicou a vitória, publicando os resultados da grande maioria das seções eleitorais com dados robustos a favor do candidato Edmundo González Urrutia, que substituiu Machado na disputa pela Presidência quando a justiça bloqueou a candidatura da líder opositora. 

No entanto, o TSJ validou a vitória de Maduro para um terceiro mandato.

Fleming, ex-ministro de Turismo (2010-2013) e Comércio (2013-2014) dos anti-imperialistas Chávez e Maduro, se declarou favorável à captura do ex-presidente.

Quando Maduro foi capturado, em 3 de janeiro, a democracia "tinha quase desaparecido" na Venezuela, afirmou. 

E por isso, disse, não predomina um sentimento anti-americano. Segundo ele, "os venezuelanos sentem que, depois dos eventos de 3 de janeiro, sua soberania, que estava sequestrada, foi recuperada e os Estados Unidos a recuperaram". 

Sem os fatos de 3 de janeiro, "não existiria essa luz no fim do túnel que os venezuelanos veem neste momento", considerou Fleming, que é doutor em Relações Internacionais da Universidade de Sorbonne, em Paris.

Ele avaliou que Caracas deve aceitar que Washington dirija ou supervisione as negociações políticas, pois os Estados Unidos fizeram "o que nenhum país do mundo se atreveu a fazer, que é resgatar ou iniciar um processo de resgate da democracia venezuelana".

O ex-vice-chanceler para a Europa durante os governos de Hugo Chávez (2008-2010) e Nicolás Maduro (2015-2016) refletiu, ainda, sobre seu papel nos governos chavistas.

"O governo Chávez me deu a oportunidade de trabalhar para o meu país, eu agradeço. Mas minha fidelidade sempre foi com a Venezuela", acrescentou.

Ele é consciente de que suas opiniões soam como "colonialismo". 

"Eu sou realista, simplesmente!", afirmou. O 3 de janeiro abriu "uma porta" para "um processo de redemocratização, para que na Venezuela novamente se possa discordar sem que isso signifique que você vai ser castigado".

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pgf/atm/lp/lbc/mvv-jc

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