Internacional

Manifestantes pedem eleições na Venezuela antes de diálogo entre governo e oposição

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"Eleições já!", gritaram cerca de 300 opositores durante uma marcha nesta terça-feira (28), em Caracas, dias antes do início de um diálogo que aponta para uma transição política apoiada pelos Estados Unidos.

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O governo da presidente interina Delcy Rodríguez e um grupo de ex-parlamentares da oposição no período 2015-2020 anunciaram, em meados de junho, um plano de trabalho para o "fortalecimento da democracia", que começará a operar em 1º de agosto.

"Se quisermos uma transição, temos que ter uma eleição", afirmou Henry Alviárez, porta-voz do Vente Venezuela, partido da líder opositora María Corina Machado.

"Quando agendarem a data da eleição, ali começa a transição", ratificou.

Esta mobilização marca, ainda, o segundo aniversário das eleições presidenciais que resultaram na polêmica reeleição de Nicolás Maduro.

A oposição reivindica a vitória de Edmundo González, candidato presidencial apadrinhado por Machado, e denuncia que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) não apresentou as provas da vitória atribuída a Maduro, preso à espera de julgamento em Nova York.

"Em 28 de julho, nos demos um mandato e vamos cumpri-lo. Levante-se, Venezuela. A transição vem e é com o povo e com nossas próprias mãos", disse Machado em um vídeo gravado.

A líder opositora, que permanece exilada desde dezembro, não foi convocada a participar do processo de diálogo, mas disse que tampouco vai dificultá-lo.

Vestindo camisas do partido e cartazes em alusão a Machado, seus apoiadores pediram seu retorno e eleições presidenciais com garantias democráticas.

"(Quero) primeiramente o retorno da nossa líder, María Corina Machado porque ela é venezuelana e ela tem que estar aqui em seu país", disse à AFP Yosy Peña durante a manifestação.

"O que nós, venezuelanos, queremos é liberdade, queremos eleições livres", acrescentou esta professora de 50 anos.

Outros manifestantes mostraram ceticismo sobre os diálogos que serão conduzidos pelo presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, e pela líder do grupo de ex-parlamentares opositores, Dinorah Figuera.

"Não acreditamos mais em diálogos, acreditamos em ações", afirmou José Fuenmayor. "O que este regime tem demonstrado é que sempre quer ganhar tempo", destacou este advogado de 64 anos.

Após a captura de Maduro em uma operação dos Estados Unidos, em janeiro, Delcy Rodríguez assumiu a Presidência interinamente e governa sob forte pressão de Washington, que supervisionará o diálogo.

"Penso que fomos enganados, inclusive pelos Estados Unidos", opinou Fuenmayor. "Primeira vez que eu vejo que os Estados Unidos apoiam um regime ditatorial", acrescentou.

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