Por que a Argentina foi condenada a pagar US$ 391 milhões pela Aerolíneas Argentinas
Entenda o processo de expropriação da companhia aérea que começou há mais de 15 anos e resultou em uma compensação milionária para o governo argentino
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A Argentina foi condenada a pagar uma indenização milionária pela reestatização da companhia Aerolíneas Argentinas. A decisão final foi confirmada em julho de 2026 por um tribunal nos Estados Unidos, que negou o último recurso do governo argentino em um processo que se arrasta há mais de 15 anos. A dívida agora precisa ser quitada com um consórcio de investimentos que se sentiu lesado pela medida.
O caso começou em 2008, quando a então presidente Cristina Kirchner decidiu expropriar a companhia aérea, que na época era controlada pelo grupo espanhol Marsans. A medida foi justificada pelo governo argentino como uma necessidade estratégica para o país, alegando má gestão e falta de investimentos por parte da empresa privada.
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O que motivou o processo de indenização?
A expropriação é o ato pelo qual o Estado toma para si a propriedade de uma empresa privada, mediante pagamento de indenização. No caso da Aerolíneas, o governo tomou o controle da companhia em 2008.
Embora o principal acionista, o grupo Marsans, tenha aceitado um acordo com o governo argentino na época, acionistas minoritários não concordaram com os termos. Eles iniciaram uma batalha judicial no CIADI (Centro Internacional de Arreglo de Diferencias relativas a Inversiones). Posteriormente, os direitos do litígio foram transferidos ao fundo Burford Capital, que em 2018 os revendeu ao Titan Consortium por cerca de US$ 107 milhões. Desde 2021, o Titan Consortium litiga nos tribunais dos Estados Unidos para executar a sentença.
Qual o valor da indenização que a Argentina deve pagar?
A Argentina foi condenada a pagar US$ 390,9 milhões (aproximadamente US$ 391 milhões) ao Titan Consortium. A decisão judicial estabeleceu que o valor das ações foi calculado de forma incorreta pelo governo argentino na época da expropriação, não compensando adequadamente os acionistas minoritários.
Qual foi a cronologia do processo?
A disputa legal passou por várias etapas ao longo dos anos. Em 2017, o tribunal arbitral do CIADI emitiu um laudo favorável aos demandantes. A Argentina tentou anular a decisão em 2019, mas o CIADI rejeitou o pedido. Em 2024, a Justiça dos Estados Unidos reconheceu a validade do laudo, levando o governo argentino a apelar em 2025. Finalmente, em julho de 2026, a Câmara de Apelações do Distrito de Columbia, em Washington, rejeitou o recurso final da Argentina, confirmando a sentença.
Por que a disputa foi parar nos Estados Unidos?
O processo foi movido em tribunais dos EUA porque os contratos de investimento continham cláusulas que permitiam a resolução de disputas em jurisdições internacionais, uma prática comum para dar segurança a investidores. Com a negação do último recurso, o país esgotou suas opções legais e agora enfrenta a obrigação de saldar a dívida, sob risco de sofrer embargos a ativos no exterior.
Qual a situação atual da Aerolíneas Argentinas?
Apesar da condenação, a companhia aérea estatal apresentou uma melhora em seu desempenho financeiro. Em 2025, a Aerolíneas Argentinas fechou o ano com um lucro operacional de US$ 112,7 milhões e, pela primeira vez em anos, não precisou de aportes financeiros do Tesouro Nacional, marcando um contraste com a situação que levou à sua reestatização.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.