Internacional

Futuro chanceler colombiano fala em 'dessacralizar' a ONU

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O futuro chanceler colombiano, Omar Bula, um diplomata com uma longa carreira dentro das Nações Unidas, fez um convite, nesta quinta-feira (16), a "dessacralizar" a organização, que em sua avaliação perdeu a neutralidade nos últimos anos.

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Nomeado há menos de uma semana pelo presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, Bula rapidamente foi a Washington em sua primeira visita de trabalho juntamente com outros futuros ministros.

O novo chanceler assumirá o cargo depois de 7 de agosto, assim que o governo de De la Espriella for constituído.

"Vi as Nações Unidas de dentro, e posso vê-las agora de fora. Inicialmente, duvidei muito, quando deixei a organização, nas minhas críticas", explicou Bula em um encontro em um centro de análises conservador em Washington, a Fundação Heritage.

"Mas certamente vi uma guinada muito clara nas políticas da ONU, que começou a tomar partido, o que claramente não é sua missão", acrescentou.

Bula trabalhou durante mais de duas décadas em organismos multilaterais, em especial no Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU em cargos de responsabilidade na América Latina, no Oriente Médio e na África.

"A neutralidade da ONU foi muito afetada na última década", afirmou, sem dar detalhes.

"O que tento dizer aos colombianos e latino-americanos é que, tendo trabalhado nessas organizações, deveriam dessacralizá-las", disse o novo chefe da diplomacia colombiana.

"Não deveriam vê-las como quem tem a última palavra", afirmou.

O presidente americano, Donald Trump, tem feito das críticas e das ironias às Nações Unidas um de seus eixos de sua política externa, e retirou os Estados Unidos de vários organismos do sistema ONU.

Em boa parte inspirado nesse modelo populista e muito conservador, o direitista De la Espriella fez campanha sobre a segurança civil, os valores que denomina de civilização ocidental e o combate à criminalidade.

Essa campanha eleitoral foi de encontro ao governo de esquerda no poder. O presidente em fim de mandato, Gustavo Petro, não reconheceu a vitória de De la Espriella e disse que não prevê comparecer à cerimônia de transição do poder.

Bula reiterou o desejo do novo governo de voltar a estreitar laços com Washington, que em setembro passado retirou a certificação de sua luta contra as drogas.

É possível que essa colaboração inclua a inserção da Colômbia no chamado Escudo das Américas, iniciativa de segurança regional de Trump, com 17 países.

"Temos falado esta semana com outros ministros de relações exteriores, os ministros afins. Mas também trataremos de trabalhar com os que não pensam como nós", assegurou Bula.

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jz/cjc/mvv/am

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