ARGENTINA

Argentina sob Milei: Balanço de 2,5 anos, da crise à recuperação econômica

Após o choque inicial em 2024, país registra queda da inflação, crescimento do PIB e superávit fiscal, mas desafios sociais e econômicos persistem em 2026

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Desde que o presidente Javier Milei assumiu o governo da Argentina, em dezembro de 2023, um pacote de medidas de choque alterou profundamente o país. Passados dois anos e meio, os resultados das políticas apelidadas de "motosserra" e "liquidificador" já podem ser mensurados com clareza, revelando uma trajetória de ajuste severo em 2024 seguido por uma notável recuperação econômica.

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O plano inicial incluiu uma forte desvalorização do peso e cortes drásticos de gastos, o que provocou uma aceleração dos preços e corroeu salários, levando a uma contração de 1,7% do PIB em 2024. O impacto foi sentido no bolso dos argentinos, com uma perda significativa da capacidade de consumo naquele primeiro ano.

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Qual o impacto das medidas no poder de compra?

A perda do poder de compra foi o efeito mais visível no início do governo. A desvalorização cambial e a liberação de preços fizeram o custo de vida disparar. No entanto, com a estabilização macroeconômica, o consumo privado apresentou uma recuperação de 7,9% em 2025, refletindo uma melhora gradual no poder aquisitivo da população, embora a recuperação ainda não seja uniforme em todos os setores.

Como a inflação se comportou sob o novo governo?

Após um pico que levou a inflação anual a 211% em 2023, o plano de ajuste obteve sucesso em frear a escalada de preços. Em meados de 2026, a inflação anual caiu para aproximadamente 33%, com índices mensais se aproximando de 2%, um marco para a estabilização econômica do país.

Apesar da melhora, o cenário para o consumidor se normaliza lentamente. Muitos argentinos consolidaram novos hábitos de consumo adquiridos durante a crise, cortando despesas não essenciais e buscando alternativas mais baratas para o dia a dia.

O que mudou nos serviços públicos e subsídios?

Um dos pilares do ajuste fiscal foi a drástica redução dos subsídios estatais, o que ocorreu principalmente em 2024. A remoção desses auxílios, que por anos mantiveram as tarifas artificialmente baixas, provocou aumentos acentuados nas contas de luz, gás, água e no transporte público, impactando o orçamento familiar.

  • Transporte público: as tarifas de ônibus e trens em Buenos Aires e outras grandes cidades sofreram reajustes significativos, tornando o deslocamento diário mais caro.

  • Energia elétrica e gás: as contas de luz e gás tiveram aumentos expressivos, refletindo a retirada gradual dos subsídios governamentais.

  • Saúde e educação: embora os serviços públicos sejam mantidos, os cortes orçamentários iniciais geraram debates sobre a qualidade e a disponibilidade de recursos em hospitais e universidades federais.

Quais os próximos desafios para a economia argentina?

O principal desafio do governo em 2026 é consolidar a recuperação. Após a recessão inicial, a economia cresceu 4,4% em 2025 e projeta um crescimento entre 3,5% e 4% para 2026. O maior sucesso foi o controle fiscal, que levou a Argentina a registrar em 2025, pelo segundo ano consecutivo, superávit primário (1,4% do PIB) e financeiro (0,2%), algo que o país não alcançava por dois anos seguidos desde 2008. Apesar da notável queda da pobreza de um pico de 41,7% para 28,2% (o menor nível desde 2018), a sustentabilidade social do plano e a gestão de pagamentos da dívida externa continuam sendo as principais preocupações.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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