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O calor, um inimigo perigoso para pessoas com dificuldade de suar

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Para as pessoas com ictiose, uma rara doença de pele que provoca uma transpiração anormal ou inexistente, as altas temperaturas representam um grande risco e fazem com que vivam sob a ameaça constante de uma insolação. 

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"Se para você já é ruim, imagina para mim com tudo o que isso implica", explica à AFP Alberto Gómez, de 36 anos. 

O professor de Física e Química redobra a vigilância quando o verão chega. "Temos uma série de indicadores de que algo pode acontecer caso não seja possível regular a temperatura", conta. 

Paciente de ictiose, uma doença genética rara, sua pele é extremamente seca, áspera e vermelha. No seu caso, o corpo inteiro descama, da cabeça aos pés, enquanto outros apresentam feridas ou bolhas. 

- "Liberar calor" - 

"O suor nos protege quando faz muito calor porque, através da sudorese, liberamos calor", explica a dermatologista Ángela Hernández, especialista em ictiose na Espanha, onde estima que haja cerca de 300 pessoas afetadas pela doença. 

"Se não conseguimos liberar calor, o organismo vai superaquecer e podem ocorrer insolações", afirma sobre uma situação de crise, que pode ser "fatal". 

Indetectável durante a gravidez, a doença costuma ser diagnosticada ao nascer. O bebê nasce com uma pele áspera muito característica, o que pode resultar em sofrimento adicional devido ao olhar dos outros. 

Ainda não há tratamento além de "hidratação, cremes, que não sejam muito oclusivos", para não fechar ainda mais os poros já obstruídos, explica Ángela Hernández. Os pacientes também devem se proteger de qualquer hipertermia e evitar exposição ao sol.

 - "Necessitava transpirar" - 

Alberto Gómez anda pelas ruas com uma sombrinha com proteção UV. "Bonés não servem porque acumulo calor na cabeça e não deixam o corpo liberar" a temperatura, explica. Apesar de suar em apenas algumas áreas do corpo, não abre mão dos esportes, que pratica necessariamente em uma sala climatizada. 

Pai de um adolescente de 17 anos com ictiose, Jaime García descobriu as consequências da doença "no primeiro verão", quando o pequeno Álvaro ficava com o rosto muito vermelho. 

Suas lágrimas eram diferentes. Era "como se o suor saísse por ali e ele precisasse transpirar", lembra García, hoje secretário da Associação Espanhola de Ictiose (ASIC, na sigla em espanhol). 

Na escola, a partir de abril, "colocavam um ventilador para que ficasse confortável e tivesse uma temperatura adequada às suas necessidades", descreve. Nos períodos mais quentes, buscava o filho mais cedo. 

Pacientes com ictiose até podem se refrescar com um mergulho na piscina, tomando precauções. Álvaro pode aproveitar "4 ou 5 minutos", explica o pai. 

Então, "corre para a ducha, onde se esfrega bastante e depois entra no banheiro e, com um potinho pequeno de creme, tenta se hidratar ao máximo. Rapidamente, para que ninguém perceba", relata Jaime.

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mig/rs/erl/jc/aa

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