Evo Morales nega denúncia penal de 'terrorismo' na Bolívia
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O ex-presidente boliviano Evo Morales rejeitou, nesta quinta-feira (2), uma denúncia criminal apresentada por grupos de direita que o acusam de “terrorismo” e “levante armado” por liderar protestos contra o governo que deixaram recentemente várias cidades da Bolívia desabastecidas.
Em maio e junho, a Bolívia registrou, durante sete semanas, protestos de rua e bloqueios de rodovias contra o governo do presidente de centro-direita, Rodrigo Paz, devido à pior crise econômica em 40 anos.
La Paz, sua vizinha El Alto e outras cidades sofreram forte escassez de medicamentos, alimentos e combustíveis por causa dos bloqueios. Paz encerrou as manifestações após decretar estado de exceção.
O comitê cívico de Santa Cruz, um conglomerado de empresários e líderes civis de direita, apresentou na quarta-feira ao Ministério Público uma denúncia contra Morales, o dirigente sindical Mario Argollo e o líder indígena Vicente Salazar pelos prejuízos econômicos que os bloqueios causaram ao país.
O advogado dos denunciantes, Diego Coimbra, declarou a jornalistas que a ação também pede a prisão de Morales e dos dois dirigentes por “risco de fuga e obstrução” das investigações.
O jornal boliviano El Deber afirma que o Ministério Público de Santa Cruz aceitou a denúncia e abriu uma investigação contra Morales e os dois dirigentes, mas o órgão não confirmou isso oficialmente.
“Processos já houve tantos... e venci todos eles”, disse Morales nesta quinta-feira em coletiva de imprensa após a denúncia vir a público.
O ex-presidente encontra-se desde o fim de 2024 na região cocaleira do Chapare, no centro do país, foragido da Justiça. Pesa contra ele uma ordem de prisão por um caso de suposto tráfico de uma menor, que ele denuncia como perseguição.
Para o sindicalista cocaleiro, o grupo que apresentou esse recurso não tem “nenhuma autoridade para falar de bloqueios” porque eles próprios promoveram bloqueios de estradas, como em 2019, afirma, quando impulsionaram sua renúncia após as eleições nas quais foi acusado de fraude.
O governo de Paz responsabilizou Morales pelos protestos sociais e o acusou de financiá-los com recursos do narcotráfico, embora sem apresentar provas. Também afirmou que recuperará territórios sob controle de organizações sociais, como a região do Chapare.
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