Internacional

ONU alerta que surto de ebola pode custar US$ 3,6 bi à África

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A epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC) ameaça dezenas de milhares de empregos e pode custar à África até 3,6 bilhões de dólares (R$ 18,6 bilhões), alertou a ONU nesta quarta-feira (1º).

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O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) afirmou que a epidemia está "desencadeando uma profunda crise socioeconômica que pode empurrar mais 985 mil pessoas para a pobreza".

"A crise também corre o risco de eliminar dezenas de milhares de empregos, interromper serviços de educação e saúde e custar às economias africanas até 3,6 bilhões de dólares (R$ 18,6 bilhões), caso os impactos regionais e globais mais amplos se intensifiquem", afirmou o PNUD.

A expansão da pobreza - que afetaria de forma desproporcional as mulheres - teria forte impacto na RDC e em países vizinhos, especialmente Uganda, Ruanda e Sudão do Sul.

"Embora a ameaça imediata à saúde pública seja grave e exija medidas de contenção, como quarentenas, algumas restrições a viagens e ao comércio estão devastando as economias locais e os meios de subsistência informais", advertiu o organismo.

Na RDC, foram confirmados 1.333 casos e 399 mortes, enquanto 189 pessoas se recuperaram da doença, segundo números da Organização Mundial da Saúde (OMS).

"O ebola não para na porta do hospital", declarou Ahunna Eziakonwa, diretora regional do Pnud para a África.

"Ele afeta meios de subsistência, educação, segurança alimentar, comércio, finanças públicas e confiança. Se tratarmos esse surto apenas como um desafio de saúde, corremos o risco de ignorar a emergência de desenvolvimento muito maior que se desenrola ao seu redor", acrescentou.

O PNUD ressaltou que, mesmo em um cenário em que o vírus seja contido com sucesso na RDC e em Uganda - país que registrou 20 casos confirmados -, os danos econômicos seriam "graves".

A previsão é de que a RDC registre "perdas de PIB real superiores a 1 bilhão de dólares (R$ 5,2 bilhões) e a eliminação de 55 mil postos de trabalho".

A agência recomenda transferências diretas de dinheiro para as populações mais vulneráveis, substituição dos fechamentos de fronteiras por controles seletivos e a criação de mecanismos emergenciais de financiamento para garantir a continuidade dos serviços de saúde materna, reprodutiva e infantil durante a crise.

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rjm/ag/ahg/an/lm-jc

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