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Primeiro-ministro britânico Keir Starmer renuncia

Starmer acabou, em julho de 2024, com 14 anos de governos conservadores no Reino Unido, mas sua popularidade despencou

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O primeiro-ministro britânico, o trabalhista Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira (22) sua renúncia, após semanas de pressões internas em seu partido, mas destacou que permanecerá no cargo até a definição de seu sucessor.

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Starmer acabou, em julho de 2024, com 14 anos de governos conservadores no Reino Unido, mas sua popularidade despencou após vários escândalos e devido a uma economia estagnada. Muitos integrantes do Partido Trabalhista pediam sua renúncia.

O primeiro-ministro finalmente cedeu nesta segunda-feira, poucas horas antes de seu principal rival no partido, o prefeito da Grande Manchester, Andy Burnham, tomar posse como parlamentar, o que permitiria um desafio aberto à liderança de Starmer entre os trabalhistas.

"Todas as decisões que tomei foram para colocar o país que amo em primeiro lugar. É por isso que vou renunciar como líder do Partido Trabalhista", disse Starmer, com a voz embargada, em um discurso diante da residência do chefe de Governo em Downing Street.

Starmer explicou que o Partido Trabalhista iniciará em julho o processo para escolher um novo líder e que ele continuará como primeiro-ministro até a definição de seu sucessor.

O favorito para sucedê-lo é o veterano político trabalhista Andy Burnham, conhecido como "o rei do Norte", que venceu na sexta-feira uma eleição legislativa suplementar no norte da Inglaterra.

Com a vitória, o prefeito da Grande Manchester desde 2017 garantiu sua cadeira de deputado, uma condição indispensável para poder aspirar à liderança do Partido Trabalhista e ao cargo de primeiro-ministro.

Antes do anúncio oficial de Starmer, a imprensa britânica já havia antecipado que ele estava prestes a renunciar e vários jornalistas estavam posicionados desde o início da manhã diante do número 10 de Downing Street.

O jornal The Guardian informou que o primeiro-ministro anunciaria sua saída sob pressão por deputados trabalhistas, que pediram que ele entregasse a liderança a Burnham, enquanto a Sky News informou que figuras importantes do governo exigiram que ele estabelecesse uma data para apresentar sua renúncia.

Até mesmo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo que Starmer renunciaria e desejou "tudo de bom" ao trabalhista.

Em sua declaração, Starmer explicou que comunicou a decisão ao rei Charles III e que pediu ao partido que estabelecesse um calendário de sucessão, que começará em 9 de julho e deve ser concluído antes da retomada das sessões parlamentares em setembro.

"Farei tudo o que estiver ao meu alcance para garantir uma transferência de poder de acordo com as normas", declarou.

Nigel Farage, o líder do partido anti-imigração Reform UK, que lidera as pesquisas nacionais há vários meses, exigiu a convocação de novas eleições.

Porém, a convocação de eleições não está prevista para antes de 2029 e, até lá, os trabalhistas mantêm uma ampla maioria parlamentar.

Economia estagnada

Desde que chegou ao poder em julho de 2024, a popularidade de Starmer não parou de cair, em um cenário de economia estagnada e aumento do custo de vida.

Além disso, ele enfrentou o escândalo da nomeação de Peter Mandelson como embaixador em Washington, apesar de seus vínculos com o criminoso sexual americano Jeffrey Epstein.

O governo trabalhista sofreu um grande revés nas eleições municipais de maio, quando perdeu quase 1.500 vereadores, e vários ministros renunciaram.

Com posições mais à esquerda do que Starmer dentro do Partido Trabalhista, Burnham é o político mais popular do país neste momento, segundo as pesquisas.

O jornal Daily Telegraph informou na sexta-feira que seus apoiadores estavam ligando para deputados trabalhistas para buscar o apoio de 200 deles, com o objetivo de dissuadir Starmer de seguir na liderança da legenda.

O Partido Trabalhista venceu as eleições gerais de julho de 2024 com uma maioria absoluta de 403 deputados, após 14 anos de governos conservadores.

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Com a saída anunciada de Starmer, o Reino Unido se prepara para conhecer seu sétimo primeiro-ministro em 10 anos, um período de instabilidade sem precedentes no país que coincide justamente com sua saída da União Europeia.

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