França teme ameaças de interferência estrangeira na eleição presidencial de 2027
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A França teme "ameaças importantes" de ingerências estrangeiras durante a eleição presidencial de 2027, indicou nesta quinta-feira (11) o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu.
A próxima eleição presidencial na segunda maior economia da União Europeia é apontada como crucial, sobretudo porque o atual presidente de centro-direita, Emmanuel Macron, não pode mais se candidatar e a extrema direita lidera as pesquisas do primeiro turno.
O presidente francês, que foi vítima de ingerências durante a campanha de 2017 com o ciberataque conhecido como "Macron leaks", apontou há alguns meses a Rússia por "comprar de forma maciça, em período eleitoral, milhões de contas falsas" nas redes sociais.
O risco de interferência "foi significativo nas eleições municipais [de março], ainda que sem efeitos maiores", o que "permite vislumbrar ameaças importantes para a eleição presidencial", indicou nesta quinta Lecornu.
Como possíveis soluções, esboçou ideias como agilizar o envio de denúncias à Justiça em caráter de urgência durante o período eleitoral e um "endurecimento das penas", consideradas por ora pouco dissuasivas.
Em 2024, ano de eleições europeias e legislativas na França, a agência de combate às ingerências estrangeiras online Viginum detectou 25 tentativas, porém com pouca visibilidade e pouco efeito no debate público.
Mas, segundo as autoridades, foram as municipais de março que serviram como "ensaio geral" para a presidencial.
A Viginum detectou quatro operações: duas de contas pró-Rússia, outra de uma empresa ligada a um ex-integrante dos serviços de inteligência israelenses e outra de um ator não estatal baseado no Vietnã com fins "lucrativos".
Quanto às ações atribuídas a redes pró-Rússia, uma tinha como alvo o candidato macronista à prefeitura de Paris, Pierre-Yves Bournazel, e a outra consistia na criação de falsos sites da imprensa francesa, detalha um relatório publicado nesta quinta-feira.
A operação proveniente de uma empresa israelense tinha como foco prejudicar três candidatos do partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI) e "alimentar as tensões em torno do lugar da comunidade muçulmana na França", segundo essa fonte.
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