Encarregada de tecnologia da UE alerta para dependência dos EUA na Web Summit
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A encarregada europeia de tecnologia alertou, nesta quinta-feira (11), durante a Web Summit, realizada no Rio de Janeiro, para os riscos do excesso de dependência das empresas tecnológicas americanas em temas sensíveis, como cibersegurança e defesa.
Presente no Brasil para participar da Web Summit Rio, o maior evento tecnológico das Américas, com mais de 40 mil participantes, Henna Virkkunen, vice-presidente da Comissão Europeia encarregada de tecnologia, segurança e democracia, defendeu a soberania digital europeia, embora isto não implique protecionismo ou isolacionismo.
"A situação atual é que 80% de nossas tecnologias vêm de fora da Europa (...) A IA é uma dessas tecnologias e não queremos ser dependentes de terceiros países, só de empresas americanas" ou outras companhias para temas que são críticos, como cibersegurança e defesa, disse a um grupo de jornalistas à margem da Web Summit.
"Por isso, é importante agora criar nossa própria capacidade (...) e estamos investindo fortemente" em "treinar uma IA baseada nos nossos idiomas, nossos conteúdos, nossos valores".
Virkkunen informou que o Brasil se tornará o quinto parceiro digital da Europa - depois de Japão, Canadá, Singapura e Coreia do Sul - quando for assinado, na sexta-feira, em Brasília, um acordo entre a UE e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para aprofundar a cooperação em governança de dados, IA, infraestrutura e conectividade digital, e plataformas digitais.
O Brasil "é um parceiro confiável" da UE, afirmou. "Está investindo muito em tecnologia. Há 160 milhões de usuários da internet no Brasil e é um dos 10 principais mercados de tecnologia. Assim, há oportunidades para ambos", acrescentou.
Perguntada sobre a vontade do presidente argentino, Javier Milei, de transformar seu país em uma espécie de laboratório de IA com regulação mínima, ela alertou para eventuais riscos.
"Para nós na UE, é muito importante ter uma abordagem centrada nos humanos, que nossos cidadãos possam confiar na tecnologia", disse.
"Na maioria dos casos, vemos que os riscos de usar a IA são muito baixos. Mas quando a IA toma decisões muito importantes, com grande impacto na vida das pessoas, quando decide (...) quem consegue um emprego, um empréstimo bancário e administra sistemas operacionais, hospitais ou sistemas de trânsito, vemos que há mais riscos" e isto deve ser testado, acrescentou.
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