Cientistas alertam para calor recorde e ameaças ao monitoramento do clima
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O aquecimento global está acelerando e o nível do mar está subindo cada vez mais rápido, advertiu nesta quinta-feira (11) um importante grupo de cientistas, que teme ainda que os cortes nos orçamentos prejudiquem vários sistemas cruciais de monitoramento do clima.
Sem uma redução no ritmo das emissões de gases de efeito estufa, advertem, o limite de aquecimento de 1,5°C será alcançado por volta de 2030, indica a quarta edição de um estudo de referência publicado anualmente.
Mais de 70 cientistas de 17 países, vários deles autores do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, designado pela ONU), atualizaram 12 indicadores-chave do aquecimento global.
"Os indicadores constituem um acompanhamento essencial dos sinais vitais de um paciente com sintomas cada vez mais preocupantes", ressalta Peter Thorne, professor de Geografia Física na Universidade de Maynooth, na Irlanda, e membro do IPCC.
O problema é que os sistemas de observação estão "fragilizados ou ameaçados por decisões geopolíticas ou relacionadas ao financiamento público", destacou Valérie Masson-Delmotte, paleoclimatóloga francesa e ex-copresidente de um grupo de trabalho do IPCC.
Em 2025, o aquecimento global atingiu 1,39°C em relação ao período pré-industrial (1850-1900), dos quais 1,37°C são atribuíveis às atividades humanas, afirmam os pesquisadores.
Com um ritmo de 0,27°C de aquecimento de origem antropogênica por década, a "velocidade do aquecimento provocado pelo ser humano permanece em seu nível mais elevado até hoje", afirma o estudo, publicado na revista Earth System Science Data.
O "desequilíbrio energético da Terra", ou seja, a diferença entre a energia solar que entra e a que é devolvida ao espaço, duplicou nas últimas décadas.
"Sem influência humana, deveria estar próximo de zero, mas aumentou desde os anos 1970 e hoje registra um nível recorde", explica Piers Forster, professor de Climatologia Física na Universidade de Leeds (Reino Unido) e coordenador do relatório.
- Combinação de fatores -
A aceleração do aquecimento se deve a dois fatores: a emissão recorde de gases do efeito estufa com o uso de combustíveis fósseis e a redução da poluição por aerossóis, que enfraquece o efeito de resfriamento que estas partículas geram ao refletir a radiação solar.
Embora "alguns elementos indiquem que o crescimento das emissões de CO? esteja desacelerando", isto não será suficiente para limitar o aquecimento global a 1,5°C, como foi estabelecido no Acordo de Paris de 2015.
Sem uma redução no ritmo das emissões, o limite será alcançado por volta de 2030, avaliam os cientistas.
"Como as emissões de gases do efeito estufa continuam aumentando, manter o aquecimento abaixo deste limite agora parece impossível", resume Aurélien Ribes, climatologista da Météo-France, a agência meteorológica francesa.
Ao mesmo tempo, o nível do mar subiu 23 centímetros entre 1901 e 2025, segundo as medições mais recentes, um ritmo que dobrou, alcançando atualmente 3,84 mm por ano.
O número anual de dias com ondas de calor marinhas mais que triplicou desde 1991, com 65 dias em 2025.
O relatório anual fornece à comunidade internacional os dados mais atualizados, utilizando as metodologias do IPCC e sem esperar pelos próximos relatórios do painel da ONU, previstos para divulgação a partir de 2028.
O estudo é baseado em quase 40 conjuntos de dados procedentes de satélites e de uma vasta gama de instrumentos terrestres, marítimos e aéreos, como estações meteorológicas, navios, boias e balões-sonda.
Porém, devido aos cortes orçamentários, vários programas de satélites e de observação da Terra estão em perigo, especialmente nos Estados Unidos.
O relatório também aponta que o financiamento da Organização Meteorológica Mundial (OMM) diminuiu, que a verba do Programa Mundial de Pesquisa do Clima (PMIC) foi reduzida à metade e que o Sistema Mundial de Observação do Clima "também está ameaçado".
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