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Haiti espera surpreender o mundo na Copa de 2026

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A façanha do Haiti de se classificar para a Copa do Mundo de 2026, na América do Norte, em meio à turbulência que o país atravessa, é uma das histórias mais inspiradoras do torneio. Agora, a seleção do país caribenho espera deixar sua marca na competição, que começa nesta quinta-feira (11).

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Ocupando a 83ª posição no ranking da Fifa, o Haiti fará sua estreia no Grupo C no sábado, contra a Escócia, em Boston, sendo esta a primeira partida do país em uma Copa do Mundo desde a edição de 1974, na Alemanha Ocidental.

Os 'Grenadiers' estão confiantes de que podem surpreender em um grupo que também conta com Brasil e Marrocos.

"Sinto orgulho pelo povo do Haiti. Sabemos que as pessoas podem ter uma imagem negativa do nosso país, de que ele enfrenta muitos problemas, mas isso fará um bem enorme ao país, à população e à minha família", disse à AFP o meia haitiano Jean-Ricner Bellegarde.

"É como uma grande festa para eles, e todos nós vamos desfrutar esse momento".

Bellegarde, de 27 anos, nascido nos subúrbios de Paris, disputou mais de 80 partidas na Premier League inglesa nos últimos três anos pelo Wolverhampton.

Ele é um dos vários jogadores nascidos no exterior e de ascendência haitiana a integrar a equipe comandada pelo francês Sebastien Migne.

Bellegarde desempenhou um papel fundamental quando o Haiti terminou à frente da Costa Rica, que chegou às quartas de final da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, durante as eliminatórias da Concacaf para o torneio de 2026. 

"Agora vamos pensar jogo a jogo, dar o nosso máximo e ver aonde isso nos leva", acrescentou ele após um treino acompanhado por crianças locais e torcedores haitianos na Stockton University, perto de Atlantic City. 

Uma proibição do governo dos EUA impediu que torcedores viajassem do Haiti, país há muitos anos assolado pela instabilidade. A ONU declarou recentemente que quase 1,5 milhão de pessoas dentro do Haiti foram deslocadas devido à violência de gangues.

No entanto, a seleção deve contar com um apoio considerável durante suas partidas, graças à grande comunidade haitiana nos Estados Unidos.

Após a estreia contra a Escócia, os 'Grenadiers' vão enfrentar o Brasil na Filadélfia, em 19 de junho, e o Marrocos em Atlanta, no dia 24 de junho.

A seleção haitiana, que não pôde disputar jogos das Eliminatórias em casa devido à insegurança que toma conta do país, já vivenciou esse apoio na prática durante dois amistosos realizados na Flórida na semana passada.

- "Transmitir uma mensagem" -

"O país apoia imensamente a seleção. Acho que muita gente viu isso quando jogamos em Fort Lauderdale e Miami, o apoio que recebemos e a atmosfera que criaram", disse Derrick Etienne, ponta do Toronto FC, clube da MLS.

"Não poder jogar em casa é obviamente difícil, mas, no fim das contas, queríamos fazer algo pelo país para ajudar a movimentar as coisas, conscientizar sobre o que está acontecendo lá e mudar o 'status quo'", acrescentou ele.

Etienne, nascido em Richmond, na Virgínia, mas com família no Haiti, fez parte da equipe que chegou às semifinais da Copa Ouro da Concacaf de 2019, realizada nos Estados Unidos.

Agora aos 29 anos, ele busca ajudar seu país a vencer uma partida de Copa do Mundo pela primeira vez. Em 1974, a seleção haitiana perdeu os três jogos que disputou, sofrendo 14 gols. 

"Estamos tentando fazer algo que nunca foi feito antes", afirmou.

"Sabemos que é uma tarefa difícil, mas confiamos muito em nós mesmos. Na verdade, não temos nada a perder e tudo a ganhar. É isso que vamos tentar fazer", afirmou ele. 

A goleada de 4 a 0 sobre a Nova Zelândia na semana passada serviu de alerta para os próximos adversários do Haiti, e a equipe conta com um jogador capaz de decidir jogos no ataque: Wilson Isidor.

"Ele é um jogador incisivo, forte, bom tecnicamente e um grande finalizador. Por isso, o fato de ele jogar pelo Haiti é incrível", disse Etienne sobre o atacante do Sunderland. 

Isidor, de 25 anos, marcou seis gols na Premier League na temporada passada. Nascido na França, ele estreou pela seleção do Haiti em março.

"Tenho muito orgulho de representar o país do meu pai", disse ele durante uma pausa para dar autógrafos após o treino. "Espero viver aventuras incríveis com a seleção. Viemos aqui para passar uma mensagem e mostrar que não somos apenas uma pequena nação com problemas".

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as/jc/ma/iga/aam/am

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