Migrantes latino-americanos expulsos dos EUA para a RDC voltam aos seus países de origem
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"Mais da metade" dos 15 migrantes latino-americanos expulsos dos Estados Unidos e deportados à República Democrática do Congo (RDC) em abril deixaram este país para retornar às suas nações de origem, anunciou o governo congolês nesta sexta-feira (5).
Em 17 de abril, 15 homens e mulheres de Colômbia, Equador e Peru desembarcaram na capital congolesa, Kinshasa, no âmbito de um controverso dispositivo americano de expulsão de estrangeiros em situação irregular para outros países.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou recentemente as expulsões de estrangeiros para novas categorias, incluindo pessoas que dispõem de proteção jurídica contra o retorno ao seu país.
A chegada dos 15 latino-americanos em abril foi o primeiro envio de migrantes expulsos pelos EUA para a RDC.
Este extenso país da África Central juntou-se assim à lista de Estados africanos que aceitaram fazer parte do programa americano de expulsões, que inclui Guiné Equatorial, Gana, Ruanda, Sudão do Sul, Camarões e Essuatíni.
Tais acordos são muitas vezes acompanhados de apoio financeiro ou logístico dos Estados Unidos, já que o objetivo de Washington é conseguir que os migrantes deixem rapidamente o seu território.
"Até o momento, mais da metade dos 15 cidadãos admitidos no território nacional em 17 de abril no âmbito desse dispositivo já deixou a República Democrática do Congo para regressar aos seus países de origem", indicou o Ministério da Comunicação congolês em um comunicado.
"Em breve serão realizadas outras saídas no âmbito da aplicação do dispositivo", continuou, acrescentando que "estes retornos confirmam o caráter estritamente transitório" do dispositivo.
A chegada de migrantes latino-americanos a Kinshasa havia suscitado fortes críticas por parte da sociedade civil e nas redes sociais congolesas.
A RDC é um dos países mais pobres do mundo. A maioria dos habitantes de sua capital não tem acesso estável à água encanada nem à eletricidade. Cerca de 75% dos congoleses vive abaixo da linha da pobreza, segundo o Banco Mundial.
A AFP recolheu depoimentos de vários migrantes que chegaram a Kinshasa. A maioria, que não falava francês – o idioma oficial na RDC –, expressou sua preocupação e manifestou o desejo de sair rapidamente do país.
A ONG de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch avaliou, em setembro, que as expulsões por parte dos Estados Unidos, no âmbito de "acordos opacos", violavam o direito internacional e deviam ser rejeitadas.
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