Internacional

Crises em Colômbia, Honduras e Equador estão entre as 'mais esquecidas' do mundo, diz ONG

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As crises de deslocamento em Colômbia, Honduras e Equador estão entre as mais negligenciadas do mundo, segundo o ranking anual do Conselho Norueguês para Refugiados (NRC), liderado pelo Sudão e pela República Democrática do Congo (RDC). 

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Em um comunicado divulgado nesta quinta-feira (4), a ONG atribui essa falta de atenção ao nacionalismo e ao rearmamento de nações ricas, entre outros fatores. 

A crise na Colômbia ficou em terceiro lugar no ranking de 2025. 

O país, dilacerado há mais de 60 anos por um conflito interno que envolve guerrilhas, paramilitares, narcotraficantes e forças de segurança, está, segundo a ONG, "preso em uma montanha-russa do esquecimento". 

"As pessoas afetadas por esse conflito não encontraram soluções duradouras. Muitas delas são deslocadas repetidamente e ficam presas, sem perspectiva de saída", comentou Giovanni Rizzo, chefe do NRC na Colômbia. 

No total, um milhão e meio de pessoas foram afetadas por conflitos e violência em 2025, três vezes mais do que no ano anterior, mas a resposta humanitária "teve apenas 28,7% do financiamento necessário", segundo a ONG.

Sudão, República Democrática do Congo e Colômbia são seguidos no ranking por Iêmen, Afeganistão, Honduras, Equador, Camarões, Nigéria e Moçambique. 

A lista da ONG se baseia em três critérios: falta de financiamento humanitário, falta de cobertura da mídia e falta de vontade política por parte da comunidade internacional. 

Em Honduras, a resposta humanitária recebeu apenas 11% do seu financiamento no ano passado, e o país começou 2026 excluído do planejamento internacional de resposta humanitária. 

Enquanto isso, o Equador "tornou-se, em poucos anos, o país mais violento da América Latina". Em 2025, "as taxas de homicídio aumentaram 40% em comparação com o ano anterior". 

"Como explicar ao mundo que uma mensagem de WhatsApp de um grupo do crime organizado tem um impacto comparável ao de uma arma? Ela força famílias inteiras a fugir da noite para o dia", afirmou Francesco Volpi, responsável da ONG no Equador. 

No entanto, é o continente africano que concentra o maior número de países neste ranking, liderado pelo Sudão.

Este país, devastado desde 2023 por um conflito sangrento entre o exército e as Forças de Apoio Rápido (FAR), tem mais de nove milhões de deslocados internos, segundo o NRC. 

Outros quatro milhões de sudaneses fugiram para países vizinhos e quase 19,5 milhões de pessoas sofrem de fome, acrescenta o NRC. 

O secretário-geral do NRC, Jan Egeland, explicou à emissora norueguesa NRK que "os países ricos se tornaram muito mais voltados para si mesmos, mais nacionalistas". 

"O rearmamento é agora uma prioridade absoluta porque precisamos garantir nossa própria segurança na Europa. Há (o presidente russo) Putin fazendo ameaças etc. Mas nos esquecemos de que haverá pandemias, fluxos migratórios e enormes perdas de vidas humanas se não investirmos na esperança em outros continentes", afirmou.

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