A empresária brasileira Camila Briote é suspeita de aplicar golpes milionários envolvendo joias de luxo no Brasil e nos Estados Unidos. Segundo investigadores, o prejuízo total pode chegar a US$ 20 milhões (cerca de R$ 100 milhões). De acordo com o FBI, ela usava joias consignadas para bancar festas na Europa enquanto enviava comprovantes falsos para as vítimas.
Com dupla nacionalidade brasileira e norte-americana, Camila é alvo de inquérito por estelionato e é acusada de desviar centenas de peças de alto valor, incluindo joias com ouro, diamantes, esmeraldas e outras pedras preciosas. Segundo as denúncias, a empresária atuava como intermediária na venda de joias consignadas, principalmente entre o Brasil e os Estados Unidos.
O modelo de negócio consistia em retirar peças para revenda mediante comissão, estabelecendo inicialmente uma relação de confiança com fornecedores e joalheiros. De acordo com vítimas e advogados que representam empresários lesados, os primeiros negócios eram concluídos normalmente. Posteriormente, no entanto, os pagamentos não eram feitos e as joias não eram devolvidas.
“Ela me deve cerca de 1,2 milhão de dólares em joias, mais 400 mil dólares referentes a vendas não repassadas”, relatou uma das vítimas em entrevista ao “Fantástico”, da TV Globo.
Outros empresários também afirmam ter sofrido prejuízos milionários. Uma das vítimas diz ter acumulado perdas que somam US$ 7 milhões (R$ 35 milhões).
Já o advogado Arthur Migliari, que representa outras vítimas, afirma que o esquema seguia um padrão repetido. “É o rosto bonitinho, uma pessoa falante, bem apresentável. Ela consegue a confiança das vítimas e depois vem a segunda parte, que é pegar as joias, que é o grand finale”, disse à revista dominical.
O que dizem as investigações
Segundo as investigações, Camila se apresentava como representante de grandes joalherias e empresas do setor, prometendo altas margens de lucro na revenda internacional das peças. Mensagens e áudios anexados aos inquéritos mostram sucessivas promessas de pagamento que, segundo as vítimas, nunca eram cumpridas.
Os relatos indicam ainda uma sequência de justificativas para atrasos, incluindo problemas pessoais e histórias criadas para sensibilizar credores. Em um dos áudios citados pela TV Globo, a empresária atribui dificuldades a questões internas da empresa e tenta justificar os atrasos nos pagamentos.
Em outros casos, segundo as denúncias, foram enviados comprovantes falsos, cheques sem fundo e até vídeos mostrando dinheiro em espécie como forma de convencer credores de que os pagamentos seriam feitos.
Uma joalheira de São Paulo relatou ter entregue cerca de cem peças para uma feira realizada nos Hamptons, área de luxo no estado de Nova York. Segundo ela, o valor devido após as vendas seria de aproximadamente US$ 600 mil, mas apenas US$ 200 mil teriam sido pagos. A mesma empresária afirmou ainda que outras joias entregues para um evento no Texas também não foram pagas nem devolvidas.
Segundo o “Fantástico”, a maior parte dos casos ocorreu nos Estados Unidos, especialmente no Sul da Flórida, em cidades como Miami, Boca Raton e Palm Beach, região onde Camila possui imóvel. Com o aumento das denúncias, o caso passou a ser acompanhado pelo Federal Bureau of Investigation, o FBI.
De acordo com documentos obtidos pela reportagem, investigadores identificaram centenas de peças em casas de penhor da Flórida após rastreamento do nome da empresária. Parte dos itens ainda mantinha etiquetas dos fornecedores originais. “Das minhas 50 peças, cerca de 35 aparecem nessa relação do FBI”, afirmou uma das vítimas.
As investigações apontam ainda que algumas joias teriam sido penhoradas por valores muito abaixo do preço de mercado. Um exemplo citado foi o de um colar de turmalinas avaliado em cerca de US$ 120 mil (R$ 603 mil), que teria sido entregue em troca de apenas US$ 6 mil (R$ 30 mil).
Segundo relatos incluídos no inquérito, parte do dinheiro obtido com as peças teria sido usada para sustentar um estilo de vida de alto padrão frequentemente exibido nas redes sociais. Camila também aparece em registros de um casamento luxuoso realizado na Espanha.
Além das investigações sobre joias, ela responde desde 2024 a outro inquérito policial no Brasil por estelionato envolvendo bolsas de luxo. O prejuízo estimado às vítimas neste caso ultrapassa R$ 4 milhões.
Em nota enviada à TV Globo, os advogados João Eugenio Oliveira e Rafael Garcia Campos afirmaram representar Camila exclusivamente no Brasil e disseram não ter conhecimento sobre processos em andamento no exterior. A defesa declarou ainda que as denúncias apresentadas pelas supostas vítimas não possuem respaldo jurídico.
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“As supostas vítimas apresentam denúncia absolutamente sem respaldo jurídico e sem qualquer prova de ato ou fato acontecido em território brasileiro”, afirmou a nota. Os advogados acrescentaram que a empresária está à disposição das autoridades e criticaram o uso do processo penal para resolver o que classificaram como disputas de natureza comercial.
