PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - A ativista iraniana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz Narges Mohammadi foi transferida da prisão para um hospital no Irã nesta sexta-feira (1º/5) devido a uma piora em seu estado de saúde.

De acordo com informações da Fundação Narges, ligada à ativista, ela foi encaminhada de ambulância da penitenciária em que estava na cidade de Zanjan para um hospital local "após uma deterioração catastrófica de sua saúde".

"Essa transferência de emergência ocorre após 140 dias de detenção arbitrária e da negação persistente de atendimento médico especializado, culminando em dois episódios de perda total de consciência em um único dia", disse a entidade em nota.

Segundo a fundação, ela não estava recebendo o tratamento médico adequado para problemas cardíacos e pulmonares.

"O médico da prisão, após administrar dois soros intravenosos e medicação contra náusea, afirmou que não havia mais nada a ser feito na unidade e determinou sua transferência imediata, em caráter de emergência, para um hospital", disse o advogado de Narges, Mostafa Nili, em sua conta no X.

Segundo ele, Narges havia recusado a transferência em um primeiro momento com base em alertas prévios de cardiologistas de que o tratamento em hospitais de Zanjan seria arriscado, devido ao seu histórico de três angiografias e colocação de stent, e que o acompanhamento deveria ser feito por sua própria equipe médica.

Após um segundo desmaio, um neurologista determinou sua internação em caráter de urgência. A Comissão Médico-Legal da província de Zanjan recomendou a suspensão de sua pena por um mês para tratamento médico.

Comitê do Nobel se diz "alarmado"

O Comitê do Prêmio Nobel da Paz, que reconheceu em 2023 a trajetória de Narges na luta pelo direito das mulheres no Irã, emitiu comunicado e disse estar "alarmado" com o estado de saúde de Narges.

A ativista foi presa em dezembro de 2025, durante uma cerimônia em memória de um advogado na cidade de Mashhad, no leste do país. Antes, ela havia deixado a prisão temporariamente, também em dezembro de 2025, por questões médicas, após passar anos detida por sua luta por direitos humanos.

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Narges é perseguida por seu ativismo pelo regime clerical do Irã e já foi presa mais de 10 vezes. Suas cinco condenações somam 31 anos de prisão e 154 chibatadas.

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