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Cepeda: um filho do marxismo e da perseguição bate às portas do poder na Colômbia

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Quando era professor de filosofia, Iván Cepeda encontrou seu pai baleado, um político comunista assassinado por agentes do Estado. Diante do cadáver, clamou por justiça, em sua primeira aparição pública de uma trajetória agitada que o deixou próximo de se tornar presidente da Colômbia.

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Agentes estatais aliados a paramilitares metralharam o dirigente em 1994, um crime que marcou a vida e a carreira do candidato de 63 anos: ele se tornou defensor dos direitos humanos, sofreu o exílio e venceu quatro eleições para o Congresso, onde opositores de direita o classificam como um marxista convicto.

O senador, que rejeita esse rótulo, terá de medir forças em um segundo turno presidencial em 21 de junho contra o advogado de extrema direita Abelardo de la Espriella.

Seu pai, Manuel Cepeda, foi um dos mais de 5.700 integrantes de um partido de esquerda assassinados durante uma campanha de terror. A poucos passos do corpo do político e jornalista em uma via de Bogotá, o jovem concedeu uma entrevista à televisão com surpreendente serenidade.

"Acabo de ver algo tão terrível." "Peço aos responsáveis pela Justiça que façam algo contra essa ofensiva contra os dirigentes de esquerda", declarou.

Por causa da perseguição contra seu pai, viveu no exílio desde os três anos de idade na antiga Tchecoslováquia, em Cuba e na Bulgária.

Ao retornar ao país, colocou-se ao lado das vítimas do conflito armado, desempenhou papel fundamental no processo de paz de 2016 que levou ao desarmamento das Farc, foi parlamentar (2010-2026) e agora é um dos dois candidatos com chances de suceder seu aliado Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda do país.

- Sobrevivente do "genocídio" -

Outras mortes também marcaram sua vida: a de sua mãe, vítima de um tumor cerebral aos 37 anos, e o assassinato de Bernardo Jaramillo Ossa, em 1990, seu padrinho político e então candidato à Presidência.

Cepeda decidiu não ter filhos e aprecia a companhia de sua esposa e de seus três cães da raça chow chow. É reconhecido como uma pessoa cética que nunca perde o controle das emoções. Admira Gandhi, o filósofo marxista italiano Antonio Gramsci, e escreveu livros sobre Sigmund Freud e Michel Foucault.

Fala tcheco e russo e praticou hóquei no gelo, segundo escreveu seu amigo León Valencia no livro "Iván Cepeda, una vida contra el olvido" (Iván Cepeda, uma vida contra o esquecimento, em tradução livre).

Sua forma de se expressar contrasta com a do eloquente e provocador Gustavo Petro, que na juventude integrou uma guerrilha nacionalista antes de assinar a paz em 1990.

Cepeda escolhe suas palavras com extremo cuidado, a ponto de redigir minuciosamente cada discurso. Junto com Petro, protagonizou históricos debates no Congresso nos quais denunciaram vínculos entre o paramilitarismo e poderosos políticos.

Petro "é o caudilho, o rupturista que compra brigas todos os dias"; já Cepeda é uma "pessoa mais estratégica, que pensa no longo prazo", "ninguém o tira do sério", disse Valencia à AFP.

Cepeda costuma cercar-se de indígenas, camponeses e vítimas da violência. "Sobrevivi ao genocídio, à estigmatização e à perseguição implacável. E aqui continuo, de pé", declarou durante a campanha.

- O segundo tempo de Petro -

Embora tenha vivido em países do bloco soviético, rejeita os modelos tradicionais da União Soviética e aposta em um "capitalismo produtivo" e "diverso". Define-se como um "progressista".

Cepeda tornou-se o escolhido da esquerda para disputar a Presidência depois de derrotar nos tribunais seu oposto ideológico, o influente ex-presidente de direita Álvaro Uribe.

Em um longo processo judicial de mais de uma década, o dirigente de esquerda demonstrou que o ex-presidente subornou paramilitares presos, razão pela qual Uribe foi condenado a 12 anos de prisão domiciliar. Posteriormente, um juiz revogou essa sentença.

Cepeda superou, com quimioterapia, um câncer de cólon e outro de fígado. Em 2022, afirmou que teve "medo de morrer", mas atualmente garante estar com boa saúde.

Em um país profundamente católico, afirma que não foi batizado.

Seus detratores o chamam de "herdeiro das Farc" devido à relação de confiança que estabeleceu com os líderes rebeldes durante o processo de paz.

O candidato desafia seus críticos a apresentarem à Justiça provas de seus supostos vínculos com atividades ilegais. Também é alvo de críticas por ser o idealizador da “paz total”, política de Petro destinada a negociar com todos os grupos armados.

Cepeda compromete-se a dar continuidade às reformas sociais do governo, que ele chama de "revoluções".

"Viemos aprofundar as reformas e acelerar as transformações sociais que o país clama com urgência, para torná-las irreversíveis", afirmou em um de seus discursos diante de uma praça lotada.

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das/lv/lb/am

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