Internacional

Mulheres que testemunharam no caso Epstein na França afirmam que jornalista violou sua privacidade

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Quatro mulheres que testemunharam perante a polícia francesa no caso Epstein afirmaram nesta quarta-feira (27) que sofreram uma violação de sua privacidade e apontaram o jornalista Frédéric Ploquin por trechos de seus depoimentos publicados sem seu consentimento.

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O livro "Epstein, les secrets de la filière française" (Epstein, os segredos da rede francesa, tradução livre) foi publicado em meados de maio. A investigação aborda as atividades de Jeffrey Epstein, o criminoso sexual americano que morreu na prisão em 2019, e de Jean-Luc Brunel, agente de modelos acusado na França por denúncias de estupro de menores, que se suicidou na detenção em 2022.

A investigação judicial sobre o caso Epstein continua aberta na França para identificar quem poderia ter facilitado seus crimes.

A obra reproduz, descreve ou relata com precisão elementos extraídos de seus depoimentos, incluindo seus nomes e "detalhes da violência sexual sofrida, a intimidade de seus relatos", denunciou a advogada Anne-Claire Lejeune, que representa essas quatro vítimas, em um comunicado enviado à AFP.

"Nada pode justificar que uma vítima reviva publicamente aquilo que confiou à Justiça no sigilo de um processo penal. Nada pode autorizar que a dor se transforme em material editorial", afirmou a advogada, que critica o fato de não ter sido solicitado consentimento nem tomada a precaução de informar as mulheres sobre a publicação.

"Essa descoberta é um novo trauma", explicou a advogada, que está considerando apresentar uma queixa.

Ploquin explicou à AFP que decidiu "publicar esses testemunhos para romper a lei do silêncio que durante tanto tempo silenciou as vítimas" e afirmou ter tentado, sem sucesso, entrar em contato com advogados durante a redação do livro.

O jornalista indicou que quis mudar os nomes de todas as vítimas, exceto os de duas delas, que já haviam se manifestado em outros meios de comunicação, e argumenta que pode ter havido um erro de sua parte em relação às outras duas mulheres.

O editor Yannick Dehée pediu desculpas caso alguma vítima tenha se sentido ofendida e declarou à AFP que nunca "houve voyeurismo na iniciativa".

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fbe/mat/ib/an/jvb/am

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