Salvar vidas é uma 'verdadeira odisseia' devido aos bloqueios na Bolívia
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Zulma Hinojosa aguarda ansiosamente no consultório médico por seu filho de 13 anos, que sofre de asma e problemas cardíacos. Oxigênio e medicamentos são escassos nos hospitais de La Paz após quase um mês de bloqueios e protestos contra o governo boliviano.
Hinojosa chora ao relatar as dificuldades para encontrar medicamentos e levar o filho até o Hospital Infantil, partindo da cidade de El Alto, perto de La Paz, onde moram a 4.150 metros de altitude.
Com uma criança que sofre de crises de asma e tem um sopro no coração, não é fácil, conta ela à AFP, enquanto caminha em meio aos escombros usados pelos manifestantes para bloquear La Paz e seus arredores.
"Não posso expô-lo ao estresse, a caminhar tanto, porque ele toma remédios", e a viagem "é uma verdadeira odisseia", diz a mulher de 44 anos, que acompanhava o filho a uma consulta médica de rotina.
Desde o início de maio, organizações de trabalhadores, agricultores, professores e transportadores têm bloqueado estradas para exigir que Rodrigo Paz, no poder há seis meses, tome medidas para enfrentar a crise econômica, a pior em quatro décadas, e renuncie.
Os bloqueios de estradas, que também afetam outras regiões da Bolívia, são mais intensos em El Alto e La Paz, capital do governo, onde medicamentos, alimentos e gasolina são escassos e os preços dispararam.
"Os medicamentos estão ficando mais caros, ou alguns estão acabando", lamenta Hinojosa, que ganha a vida com dois empregos: faz empanadas e, ocasionalmente, cuida de doentes em casa.
No hospital público de Clínicas de La Paz, um dos mais antigos e maiores do país, o neurocirurgião Enrique Coritza, chefe da Unidade de Centro Cirúrgico, disse à AFP que o estoque atual de oxigênio do hospital durará apenas alguns dias.
"Não sabemos como estará a situação a partir de quinta, sexta ou sábado", alertou ele, após visitar os centros cirúrgicos.
Segundo o governo, pelo menos quatro pessoas morreram porque os bloqueios nas estradas impediram o atendimento médico de emergência em tempo hábil. Até o momento, não há dados sobre o impacto nos hospitais.
- "O povo não aguenta mais" -
A grave escassez de alimentos na cidade de La Paz e arredores também afeta os hospitais.
"Não temos carne bovina, não temos frango, não temos frutas e verduras, o que causa deficiências nutricionais nos pacientes", explica Christian Calle, diretor do setor de Farmácia do hospital.
A situação nos hospitais é semelhante em La Paz e El Alto, segundo um relatório divulgado na segunda-feira pelo Ministério da Saúde.
Grupos de moradores protestaram nos últimos dias para exigir o fim dos bloqueios. "O povo não aguenta mais", afirmava uma faixa em uma marcha realizada na terça-feira.
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