Flávio Bolsonaro pede a Trump que declare CV e PCC como organizações terroristas
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O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro afirmou, nesta terça-feira (26), que pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que declare como terroristas as duas principais facções criminosas do Brasil, em uma visita incomum à Casa Branca, em plena pré-campanha eleitoral.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), que está preso, assegurou que o encontro aconteceu a pedido da própria Casa Branca, o que não pôde ser confirmado pela AFP junto ao governo Trump.
“Fui exatamente fazer esse pedido expresso a ele para que declare CV e PCC como organizações terroristas. Sim, que é o que eles são”, disse o senador em coletiva de imprensa em Washington após o encontro.
O governo americano estuda designar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como “narcoterroristas”, como já fez com os principais cartéis mexicanos e colombianos.
Mas o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa voto a voto com Flávio Bolsonaro nas pesquisas, tem expressado forte oposição a essa classificação, devido às implicações jurídicas e de soberania envolvidas na aplicação do marco de terrorismo a grupos criminosos. Lula foi recebido há 20 dias por Trump na Casa Branca e reiterou esse pedido.
"O Lula vai de joelhos, rastejando, para implorar ao presidente americano Trump que não declare organizações criminosas como CV e PCC como terroristas. Eu faço o contrário”, afirmou Flávio.
Ele disse ainda que, se vencer as eleições presidenciais, o Brasil passará a integrar a aliança de segurança Escudo das Américas, lançada por Trump juntamente com 17 países da América Latina e do Caribe em março, durante uma cúpula na Flórida.
“Esse é o lugar do Brasil. É como protagonista da segurança das Américas, lado a lado com nações livres e soberanas”, bradou o senador.
Flávio Bolsonaro foi à reunião acompanhado por seu irmão Eduardo, conhecido em círculos do trumpismo nos Estados Unidos. A visita à Casa Branca ocorre em meio ao escândalo atravessado pelo pré-candidato no Brasil pelos contatos que manteve com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por suposta fraude.
“Eu não tenho nada, absolutamente nada, a esconder”, garantiu Flávio, segundo o qual Trump se mostrou muito interessado pela campanha eleitoral, mas não houve nenhuma declaração de apoio. “Como não deveria ter, como não poderia ter… E eu, como eu jamais pediria que isso acontecesse", enfatizou.
- 'Perguntar sobre meu pai' -
O presidente dos Estados Unidos mostrou-se, no início de seu segundo mandato, muito crítico em relação ao julgamento de Jair Bolsonaro, seu fiel aliado entre 2019 e 2023.
Bolsonaro acabou atrás das grades, e as sanções que o governo Trump impôs temporariamente ao ministro do STF Alexandre de Moraes, assim como tarifas sobre produtos brasileiros, tensionaram bastante as relações com Lula.
O presidente brasileiro também criticou o intervencionismo de Trump na América Latina, com seus ataques a supostas lanchas do narcotráfico no Caribe e no Pacífico, que já provocaram quase 200 mortes. Os dois governantes, no entanto, decidiram se reunir para dissipar as tensões, e esse encontro na Casa Branca foi satisfatório, a julgar por suas declarações. Mas Trump não esconde sua preferência pela família Bolsonaro.
“A primeira coisa que ele fez foi perguntar sobre o meu pai. Perguntou sobre as condições da prisão, sobre como ele está, sobre como a família tem lidado com tudo isso”, disse Flávio.
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