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Maradona colocou equipe médica 'em xeque' após cirurgia, diz ex-diretor de clínica

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Diego Maradona arrancava repetidamente seu acesso intravenoso e mantinha a equipe médica "em xeque" após uma cirurgia na cabeça, um quadro inicialmente atribuído à abstinência alcoólica, testemunhou nesta terça-feira (26) um ex-diretor médico durante o julgamento na Argentina sobre a morte do ex-jogador. 

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Pablo Dimitroff, ex-diretor médico da clínica onde Maradona foi operado no dia 3 de novembro de 2020, sustentou que a instituição desaconselhou o tratamento domiciliar e propôs, em vez disso, a transferência do paciente para um centro de reabilitação e desintoxicação. No entanto, o astro do futebol foi levado para uma residência na zona norte de Buenos Aires, onde morreu 22 dias depois. 

Após a cirurgia, a equipe médica começou a "ter dificuldades para fazer [Maradona] compreender que ele precisava permanecer imóvel", afirmou Dimitroff ao prestar depoimento como testemunha. 

"Foi nesse momento que começaram outros problemas, que a Dra. Cosachov atribuiu, inicialmente, à abstinência alcoólica", acrescentou ele, referindo-se à psiquiatra Agustina Cosachov, uma das acusadas no processo. 

"Até o fim de sua internação, no dia 11, foi isso que nos manteve em xeque. Houve momentos em que foi difícil manter o paciente sob controle. Ele arrancou o acesso intravenoso várias vezes, e tivemos de administrar medicamentos sedativos e anticonvulsivantes em doses significativas", observou Dimitroff, acrescentando ainda que, em certas ocasiões, foi necessário conter fisicamente o ex-jogador.

"Diante desse cenário, e considerando sua necessidade de reabilitação motora e desintoxicação desse hábito de consumo de substâncias, parecia evidente que sua casa não era o ambiente apropriado para que ele continuasse o tratamento", acrescentou o então diretor da Clínica Olivos. 

O julgamento questiona tanto a adequação quanto as condições da internação domiciliar que, em última análise, levou à morte do ídolo aos 60 anos, causada por parada cardiorrespiratória e um edema pulmonar. 

Segundo Dimitroff, apesar de suas recomendações, o círculo íntimo de Maradona decidiu interná-lo em uma casa alugada em Tigre, ao norte de Buenos Aires, sob a alegação de que ele não aceitaria nenhuma outra alternativa. 

Anteriormente no processo, depôs o neurocirurgião Pablo Rubino, que participou da intervenção cirúrgica e garantiu que "havia razões suficientes para indicar corretamente a cirurgia" para um hematoma subdural, ou seja, um coágulo sanguíneo localizado dentro do crânio. 

Este ponto permanece controverso, visto que, nos dias imediatamente anteriores ao procedimento, Maradona havia sido hospitalizado em outra instituição que considerou não haver urgência para uma cirurgia. 

Os sete acusados enfrentam acusações de homicídio com dolo eventual, que implica que eles tinham conhecimento do risco de morte, e penas de prisão de até 25 anos.

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mry/lm/mr/aam/cb

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