Kevin Warsh, de Wall Street à presidência do Fed
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Kevin Warsh, o novo presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), é um habitué do meio empresarial que convenceu Donald Trump de que era a pessoa certa para o cargo, embora isto gere dúvidas sobre sua capacidade para enfrentar as ingerências do chefe do Executivo.
Warsh, de 56 anos, prestou juramento ao cargo na Casa Branca na presença de Trump, algo que não acontecia desde 1987, quando Alan Greenspan fez o mesmo perante o então presidente Ronald Reagan.
"Vou chefiar um Federal Reserve orientado para as reformas, aprendendo com os erros e acertos do passado, deixando para trás marcos e modelos estatísticos e mantendo padrões claros de integridade e desempenho", prometeu Warsh.
Na presidência do Fed, ele sucede a Jerome Powell, a quem Trump criticou insistentemente desde que assumiu seu segundo mandato.
"Quero que Kevin seja totalmente independente. Quero que seja independente e que simplesmente faça um grande trabalho", disse Trump no juramento.
"Kevin entende que quando a economia está no auge, isso é algo bom. Queremos frear a inflação, mas não queremos frear a grandeza", acrescentou o presidente.
- De volta ao Fed 20 anos depois -
Warsh volta ao Fed 20 anos depois de ter chegado à instituição como governador, em 2006. Na época com 35 anos, se tornou o membro mais jovem da história do banco central americano.
Nestas duas décadas, "criticou duramente" o Fed, disse à AFP David Wessel, pesquisador da Brookings Institution.
"Agora, terá que ganhar a confiança das equipes e do restante dos diretores monetários para implementar seu programa", acrescentou Wessel, que o descreveu como alguém "muito diplomático e, no geral, hábil com as pessoas".
Enquanto a oposição democrata o considera um "marionete de Trump", ele se comprometeu perante o Senado a "zelar para que a gestão da política monetária continue sendo estritamente independente".
Ele assegurou que Trump não lhe pediu que baixasse as taxas de juros e que "nunca" teria aceitado se comprometer com isso.
- Ex-falcão -
Kevin Warsh sabe que os círculos financeiros dos quais procede o observam com lupa. Conheceram-no como um "falcão" preocupado com a inflação e suspeitam que possa dar uma guinada oportunista.
Quando fazia campanha para ocupar a presidência do Fed, sussurrou palavras doces nos ouvidos de Trump, ao elogiar suas políticas a favor do crescimento e considerou possível baixar os juros.
Ao mesmo tempo, Trump pressionava o banco central e tentava expulsar Powell e a governadora Lisa Cook.
Warsh se calou sobre esta situação. Agora, se sentará ao lado de Powell, que optou por permanecer na junta de governadores do Fed.
O novo presidente tem previsto reduzir o volume de ativos financeiros nas mãos da instituição - que se multiplicaram ao longo de crises sucessivas - para diminuir seu peso nos mercados financeiros.
- Banqueiro e assessor -
Antes de sua primeira passagem no Fed, entre 2006 e 2011, Warsh foi um banqueiro de fusões e aquisições no Morgan Stanley. Também foi assessor de política econômica durante o governo do ex-presidente George W. Bush (2001-09).
Durante seu período no Fed, Warsh trabalhou de perto com seu presidente Ben Bernake na resposta do banco central à crise financeira que sacudiu a economia global em 2008.
Ele surgiu como um mediador da comunicação entre os responsáveis pela política monetária e os mercados financeiros, inclusive à medida que aumentava seu ceticismo frente a algumas ações do Fed, como os cortes dos juros para mitigar os danos.
Em 2011, renunciou ao cargo de governador do Fed, anos antes do fim de seu mandato, previsto para 2018.
Warsh se graduou na Universidade de Stanford e na Escola de Direito de Harvard. É casado com Jane Lauder, da famosa família dona do grupo de cosméticos Estée Lauder.
Seu sogro, o bilionário Ronald Lauder, é um sócio de velha data de Trump.
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