Bolloré, o magnata da mídia no centro de polêmica na França
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O nome de Vincent Bolloré e de seu império midiático sacudiu, nos últimos meses, o Festival de Cannes e o cenário cultural da França, onde alguns temem a influência do bilionário conservador na eleição presidencial de 2027.
O empresário, de 74 anos, está presente na televisão e no cinema através de seu grupo Canal+, mas também no rádio (Europe 1), na imprensa (o JDD e as publicações do grupo Prisma) e na edição de livros (Hachette). Um vasto império que provoca turbulências.
Em abril, dezenas de escritores bateram a porta de sua editora Grasset, após a demissão de seu diretor, Olivier Nora, que atribuem a Bolloré.
Semanas depois, o início do Festival de Cannes foi marcado por um manifesto de centenas de profissionais que denunciam "a crescente influência da extrema direita" na indústria cinematográfica pelas mãos do magnata.
O responsável pelo Canal+, Maxime Saada, anunciou que seu grupo, o maior produtor de cinema francês, deixaria de trabalhar com os signatários do manifesto — mais de 600 naquele momento —, o que vários atores e diretores consideraram uma ameaça à liberdade de expressão.
- "Nenhum projeto ideológico" -
Essas polêmicas alimentam a ideia de uma "batalha cultural" na França, a menos de um ano da eleição presidencial, para a qual Emmanuel Macron, de centro-direita, não pode se candidatar. A extrema direita lidera as pesquisas para o primeiro turno.
Bolloré, um católico fervoroso que se define como "democrata-cristão", sempre negou as acusações da esquerda, que o critica por travar uma batalha em favor de ideias da extrema direita.
Seus críticos acusam, há anos, seus veículos CNews, Europe 1 e JDD de promoverem uma visão de extrema direita ao tratar de questões de insegurança e imigração.
- Do papel de seda ... -
A 15ª maior fortuna da França, segundo a revista Challenges, mantém firmemente as rédeas da holding familiar, cujas origens remontam a uma fábrica de papel fundada em 1822, que mais tarde foi assumida por um ascendente de Bolloré.
Foi este último que salvou a agonizante empresa familiar em 1981, quando ainda era um jovem banqueiro de investimento em Paris. Junto com o irmão, assumiu o controle das fábricas Odet-Cascadec-Bolloré (OCB).
A empresa passou do papel de seda para o filme plástico e, depois, para os condensadores elétricos. A Bolloré Technologies abriu o capital em 1985, e essa aventura lhe rendeu uma imagem de patrão simpático, próximo da direita liberal.
Seus negócios expandiram e as aquisições se multiplicaram, tendo a mídia como alvo principal: Bouygues, Pathé, Havas, Ubisoft...
- ...à TDT -
Com o lançamento da Televisión Digital Terrestre (TDT) em 2005, ele consegue seu primeiro canal, Direct 8. Ele o vende para a Canal+ em troca de participações na matriz, a Vivendi, da qual assume o controle em 2014.
Sob sua administração, a Canal+ muda: demissão de executivos, fim do popular programa satírico "Les Guignols" e greve histórica da redação da iTélé, que se repete anos depois em outros veículos sob seu controle.
Em 2025, outra de suas emissoras, a C8, perde a concessão de transmissão por excessos de seu apresentador Cyril Hanouna, após várias advertências e multas milionárias da agência reguladora.
As atividades do bilionário no continente africano o levarão a julgamento em Paris em dezembro, em particular por corrupção no Togo entre 2009 e 2011.
Diante das críticas, nega ser "um Átila" ou "inspirar terror": "Só inspiro terror em pessoas que nunca me viram e acreditam em algumas cartinhas que me descrevem como um sujeito assustador".
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