França anuncia ajuda de € 710 milhões para limitar impacto da guerra no Oriente Médio
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A França destinará 710 milhões de euros (4,12 bilhões de reais, na cotação atual) a novas ajudas para conter o impacto na atividade econômica da guerra no Oriente Médio, marcada pelo encarecimento dos combustíveis, anunciou o governo nesta quinta-feira (21).
O conflito iniciado com o ataque em fevereiro dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã provocou o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde transita um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito mundial.
Isso fez dispararem os preços dos combustíveis e encareceu os derivados do petróleo, como o plástico, além de ter aumentado os juros da elevada dívida pública da França, num momento em que o governo busca reduzir seu déficit a 5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Diante de uma guerra que vai "durar" de "uma forma ou de outra", "nossa obsessão é que o país tem de continuar funcionando", declarou o primeiro-ministro Sébastien Lecornu (centro-direita), durante uma coletiva de imprensa para anunciar as novas medidas.
O governo prorrogou por três meses as ajudas para a compra de combustível para pescadores, agricultores e trabalhadores dos transportes, e aumentou de 50 para 100 euros (de 290 para 580 reais) as indenizações para os trabalhadores de menor renda que dependem de seus veículos para trabalhar.
As medidas incluem também a possibilidade de as empresas concederem uma bonificação de até 600 euros (3.480 reais), isenta de impostos, aos funcionários que dependem de seus veículos, e ajudas de até 5.500 euros (31.920 reais) para taxistas que comprarem um carro elétrico, entre outras.
O ministro das Contas Públicas, David Amiel, calculou em 710 milhões de euros o valor das novas ajudas, que se somariam aos 470 milhões de euros (2,73 bilhões de reais) já anunciados.
Lecornu descartou uma "redução generalizada" dos impostos sobre combustíveis, como fez a Espanha, por considerar que isso custaria "muito caro" às finanças públicas, e advertiu que será necessário realizar cortes para compensar as ajudas.
Embora essas medidas de economia sejam detalhadas em junho, o governo já anunciou 6 bilhões de euros (34,82 bilhões de reais) em congelamentos ou anulações de créditos no gasto público em 2026, entre eles 2 bilhões (11,61 bilhões de reais) na área social.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou, nesta quinta-feira, que a França mantenha uma resposta limitada, temporária e específica à crise energética, após reduzir de 0,9% para 0,7% sua previsão de crescimento para 2026 em razão da guerra no Oriente Médio.
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