Internacional

Xi e Putin ratificam relação 'inabalável' à prova de turbulências mundiais

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Os presidentes da China e da Rússia, Xi Jinping e Vladimir Putin, reafirmaram nesta quarta-feira (20) a solidez de suas relações bilaterais diante das turbulências no mundo, menos de uma semana após Pequim ter recebido o americano Donald Trump. 

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"Soubemos aprofundar sem cessar a confiança política mútua e a coordenação estratégica, com uma perseverança inabalável que resistiu a mil provações", disse Xi a seu convidado, segundo a agência de notícias oficial Xinhua. 

Putin elogiou relações em um "nível sem precedentes", em particular no âmbito econômico, apesar dos "fatores externos desfavoráveis". 

Os dois líderes se reuniram em um contexto de múltiplas crises que afetam diretamente seus países, como as ameaças de retomada das hostilidades no Golfo, a continuidade do conflito na Ucrânia e as tensões no comércio e no fornecimento de hidrocarbonetos. 

Putin e Xi abordaram essas questões à tarde, durante um chá. Segundo a imprensa russa, esse encontro durou aproximadamente uma hora e meia, antes de Putin seguir para o aeroporto.

- "Fornecedor confiável" -

Ambos os países ressaltaram a necessidade de "retomar o diálogo e as negociações o mais rápido possível" no Oriente Médio, segundo a declaração conjunta divulgada pelo Kremlin. 

Estão "completamente de acordo" de que os bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã violam o direito internacional. 

A China foi fortemente impactada por esse conflito porque depende muito do comércio internacional e do petróleo e gás provenientes do Golfo. 

Já para Putin, esse conflito representa uma oportunidade para seu país, que foi o terceiro maior produtor mundial de petróleo e o segundo de gás em 2023, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE). 

"Em um contexto de crise no Oriente Médio, a Rússia mantém sua condição de fornecedora confiável de recursos", declarou Putin. 

Além disso, Putin conseguiu avançar no projeto do gasoduto "Força da Sibéria 2", uma infraestrutura fundamental para Moscou, que lhe ofereceria uma saída para seus hidrocarbonetos, rejeitados pela Europa após a invasão da Ucrânia. No entanto, sua concretização vem sendo adiada. 

Moscou e Pequim alcançaram "avanços", mas não chegaram a nenhum acordo, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, citado pelas agências russas. 

No que diz respeito à guerra na Ucrânia, a declaração conjunta registra a visão "positiva" que a Rússia tem da "posição objetiva e imparcial" da China em relação ao conflito.

- China, cliente fundamental -

Sorridente, o presidente chinês recebeu Putin com um caloroso aperto de mão ao pé das escadarias do Grande Salão do Povo, sede do poder no coração da capital. 

Ambos ouviram seus hinos, passaram em revista uma guarda militar e um grupo de crianças que pulavam aos gritos de "bem-vindo, bem-vindo" e agitavam bandeiras de ambos os países. 

Uma salva de canhões ecoou, em uma encenação muito semelhante à da pomposa recepção oferecida a Trump. Mas o tom foi mais afetuoso entre Xi e Putin, que se tratam mutuamente por "velho amigo" ou "querido amigo", e que se reuniram quase 40 vezes ao longo de mais de 13 anos de exercício simultâneo do poder. 

Xi busca impor a imagem da China como um foco de estabilidade em meio à tempestade. China e Rússia se opõem a uma ordem mundial dominada pelos Estados Unidos e pelos países ocidentais, e são parceiros de longa data da Coreia do Norte. 

Os dois dirigentes assinaram publicamente vários documentos sobre cooperação estratégica, construção de uma ferrovia e desenvolvimento urbano. 

Também concordaram em prorrogar um tratado de boa vizinhança firmado há 25 anos e um regime de isenção recíproca de vistos. 

Putin convidou Xi a ir à Rússia no ano que vem e confirmou que participará da cúpula da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico) em novembro, na China. 

Os laços entre Pequim e Moscou se fortaleceram após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, e o volume de comércio bilateral atualmente é o dobro do de 2020, segundo centros de análise europeus. 

Mais de 70% das importações chinesas provenientes da Rússia consistem em combustíveis de origem mineral, essencialmente petróleo. 

As exportações de petróleo bruto russo para a China aumentaram 30% desde 2022 sob o efeito das sanções ocidentais, segundo a mesma fonte. 

No final de 2025, a China era a principal compradora de petróleo bruto e carvão russos, e a segunda maior de gás transportado por gasoduto, de acordo com o Centro de Pesquisa sobre Energia CREA.

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