Google promete mecanismo de busca que age pelo usuário
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O Google apresentou, nesta terça-feira (19), seu plano para transformar sua famosa barra de busca em um assistente de inteligência artificial (IA) capaz de fazer reservas em restaurantes, acompanhar notícias ou contatar um profissional, com apenas uma pergunta.
Depois de três anos de dificuldades para competir com o ChatGPT da OpenAI, o equivalente do Google, o Gemini, conta agora com 900 milhões de usuários mensais, o dobro do ano passado. E a função de busca por IA do Google, o AI Mode, já tem 1 bilhão de usuários mensais no mundo.
Nesta terça, na conferência anual do Google, perto de sua sede em Mountain View, Califórnia, o CEO Sundar Pichai apresentou a próxima fase da ferramenta: o Gemini Spark. Esse agente de IA pessoal estará disponível a partir da semana que vem para alguns assinantes nos Estados Unidos.
"Gosto de como a busca se parece cada vez menos com uma série de consultas individuais e cada vez mais com uma conversa contínua, que oferece aos usuários uma compreensão mais profunda e os conecta com a imensidão da web", declarou Pichai a jornalistas.
O motor de busca do Google também será atualizado neste verão (do hemisfério norte) nos Estados Unidos com agentes de IA permanentemente ativos para alertar sobre notícias, reservar mesas em restaurantes ou entrar em contato com prestadores de serviços.
A empresa também revelou um projeto de "cesta de compras universal", concebido para reunir as compras do internauta em todas as suas plataformas - busca, Gemini, YouTube, Gmail - por meio de um sistema que detecta automaticamente as melhores ofertas. Seu lançamento também está previsto para este verão nos EUA.
Essas funcionalidades fazem parte da onda da chamada "IA agêntica", que tomou conta do Vale do Silício desde que o desenvolvedor austríaco Peter Steinberger lançou, no fim de 2025, o OpenClaw, uma plataforma que permite à IA reservar voos, gerenciar e-mails e criar aplicativos com um simples pedido.
A OpenAI contratou Steinberger e os gigantes da tecnologia competem agora para oferecer essas funcionalidades ao público, apesar das preocupações quanto à segurança e aos crescentes custos de computação que elas acarretam.
- Gemini 3.5 -
Para se manter à frente dos rivais, o Google lançou nesta terça-feira a versão mais recente de seu modelo de IA, o Gemini 3.5 Flash.
A empresa afirma que ele funciona "quatro vezes mais rápido" que os principais modelos concorrentes, incluindo o Claude Opus, da Anthropic, e o ChatGPT 5.5, da OpenAI, com desempenho similar.
Este modelo agora é o padrão no aplicativo Gemini, na busca com AI Mode e em outros serviços do Google. Espera-se para o mês que vem uma versão mais potente, o Gemini 3.5 Pro.
O Google, que investiu em sua concorrente Anthropic, também anunciou uma parceria com a OpenAI em um tema específico: combater a difusão de conteúdo falso ou manipulado. Para isso, a OpenAI adotou o SynthID, uma ferramenta do Google que adiciona marcas d'água invisíveis às imagens criadas por IA.
- O fim do clique? -
Essas novas capacidades do número um da busca na internet, que limitam ainda mais a navegação dos internautas fora do ecossistema do Google, correm, no entanto, o risco de alimentar os temores dos veículos online, que veem a redução de sua audiência e suas receitas publicitárias.
Aproximadamente 58% das buscas no Google terminam agora sem que o internauta clique e visite um site, segundo uma ação movida nos Estados Unidos contra o Google pela Penske Media, editora do The Hollywood Reporter e da Rolling Stone.
Na Europa, o Conselho Europeu de Editores (EPC) recorreu à Comissão Europeia e acusa o Google de utilizar conteúdos jornalísticos para alimentar seus resumos por IA sem a devida compensação.
A França é o único grande país europeu em que o AI Mode continua indisponível e permanece no centro de uma dura disputa entre o Google e os editores.
Mas os problemas jurídicos do Google não se limitam à Europa. Um tribunal americano declarou a empresa culpada em 2024 de monopolizar ilegalmente as buscas na internet, e ela ainda pode ser obrigada a desmembrar partes de seus negócios.
Em fevereiro, o Departamento de Justiça dos EUA recorreu de uma decisão que quase obrigou o Google a vender seu navegador Chrome. Mas a audiência não deve ocorrer antes do fim do ano, ou mesmo em 2027.
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