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Cientistas buscam hantavírus enquanto turistas indiferentes passeiam em Ushuaia

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Cientistas capturaram nesta terça-feira (19) dezenas de roedores em Ushuaia para descartar a presença de hantavírus após o surto em um cruzeiro que partiu dali em 1º de abril e deixou três mortos, enquanto turistas percorrem esta cidade argentina indiferentes à operação.

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Com máscaras e luvas, os cientistas verificaram desde o amanhecer as mais de cem armadilhas que haviam distribuído nas áreas florestais próximas à cidade mais austral da Argentina.

Um desses pontos era Baliza Escarpados, uma área de mirantes naturais atravessada por uma estrada de onde se pode apreciar Ushuaia, seu mítico farol do fim do mundo e sua baía prateada.

Ali, os cientistas recolheram as armadilhas e despejaram seu conteúdo em sacos plásticos pretos, visivelmente entusiasmados com o resultado.

Biólogos do instituto Carlos Malbrán, de Buenos Aires — o principal centro de virologia do país — e especialistas locais precisam capturar um número suficiente de roedores para extrair tecidos e sangue que serão depois enviados a Buenos Aires para análise.

Eles buscam descartar que os passageiros holandeses do cruzeiro que morreram de hantavírus tenham sido infectados nessa cidade, onde até agora essa doença transmitida por roedores nunca havia sido registrada.

Autoridades sanitárias confirmaram à AFP que cerca de 70 exemplares foram capturados. Os trabalhos continuarão durante toda a semana e os resultados levarão um mês.

"O problema é que, em geral, a densidade de ratos é baixa", disse à AFP o biólogo Sebastián Poljak.

"O ideal seria capturar poucos ratos, mas em muitos lugares. Se houvesse hantavírus em um local, todos os ratos seriam portadores", acrescentou o biólogo do Centro Austral de Pesquisas Científicas (Cadic).

Esses ratos silvestres, chamados de colilargos, são mais frequentes no Parque Nacional da Terra do Fogo, a 15 quilômetros da cidade, uma área de 70 mil hectares que recebe cerca de 400 mil visitantes por ano.

- "Não há preocupação" -

Paralelamente à amostragem científica, Ushuaia, que se promove como "a cidade do fim do mundo", funciona em ritmo reduzido. A temporada de inverno ainda não começou e a de cruzeiros, pela qual recebe cerca de 130 mil visitantes por ano, terminou há um mês.

O hantavírus não é um tema que preocupe as centenas de turistas que aproveitam a tranquilidade da baixa temporada.

Apesar do céu cinzento e dos apenas 5ºC, os passeios pelo canal de Beagle saem lotados de turistas nesta terça-feira, depois de uma segunda-feira ventosa que obrigou ao cancelamento das saídas.

"Soubemos do caso do cruzeiro, mas nem pensamos em cancelar nossa viagem", disse à AFP María Julia Tadeo, uma advogada argentina de 43 anos.

Junto de suas duas filhas adolescentes, ela se preparava para iniciar um passeio de catamarã com a esperança de avistar baleias Sei ou Jubarte, as duas espécies que frequentam a baía da cidade de cerca de 80 mil habitantes.

O frio austral obriga, de qualquer forma, a cobrir boca e nariz, embora ninguém utilize máscara cirúrgica.

"Não há uma preocupação como ocorreu na pandemia de covid-19; as pessoas aqui sabem que em Ushuaia não há hantavírus", disse Alejandra Contreras, funcionária de um restaurante no centro.

A ilha da Terra do Fogo é separada do continente pelo Estreito de Magalhães, uma geografia que os biólogos consideram uma barreira natural para o vírus.

O surto no cruzeiro Hondius corresponde à cepa Andes, a mais perigosa por ser a única conhecida que pode ser transmitida entre humanos. Até agora, essa cepa só foi identificada em outras províncias do sul da Argentina e no sul do Chile.

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sa/lm/nn/am

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