Cuba culpa EUA por 'tensa' crise energética
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Cuba acusou nesta quarta-feira (13) os Estados Unidos pela situação “particularmente tensa” de sua rede elétrica, afetada por longos apagões, enquanto Washington voltou a oferecer uma ajuda de 100 milhões de dólares (501 milhões de reais) para a ilha.
O governo comunista afirma que a crise energética é consequência de um bloqueio petrolífero imposto pelo governo de Donald Trump desde o início do ano. Os Estados Unidos, por sua vez, alegam que a situação se deve à má gestão econômica interna.
As tensões entre Washington e Havana se intensificaram nas últimas semanas, embora os dois países mantenham um diálogo. Em 10 de abril, foi realizada uma reunião diplomática de alto nível na capital cubana.
Em um comunicado, o Departamento de Estado reiterou nesta quarta a oferta de ajuda a Cuba, submetida a duras sanções americanas desde 1962, sob a condição de que a Igreja Católica faça a distribuição.
O chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio, cujos pais são de origem cubana, formulou inicialmente essa proposta durante uma recente visita ao Vaticano. Na ocasião afirmou que Cuba a havia rejeitado, o que foi desmentido pelo governo cubano.
Desde a queda do presidente venezuelano Nicolás Maduro, aliado de Havana e capturado por forças americanas em janeiro, Washington aplica uma política de pressão máxima sobre Cuba.
Trump assinou em janeiro um decreto que estabelece que a ilha, a 150 km da costa da Flórida, representa uma “ameaça excepcional” para os Estados Unidos, e ameaçou com represálias qualquer país que queira fornecer ou vender petróleo a Havana.
- “Perseguição energética” -
Nos últimos dias, a situação do sistema de energia elétrica voltou a ser crítica nesse país de 9,6 milhões de habitantes, com apagões longos e uma produção de eletricidade mínima.
Segundo números oficiais compilados pela AFP, 65% do território cubano sofreu cortes simultâneos na terça-feira.
“Esse agravamento dramático tem uma única causa: o bloqueio energético genocida ao qual os EUA submetem nosso país, ameaçando com tarifas irracionais qualquer nação que nos forneça combustível”, denunciou o presidente Miguel Díaz-Canel no X.
Desde o fim de janeiro, apenas um petroleiro russo com 100 mil toneladas de petróleo bruto foi autorizado a atracar em Cuba, o que aliviou a crise de eletricidade em abril.
Mas essas reservas já “se esgotaram”, informou nesta quarta o ministro de Energia e Minas, Vicente de la O Levy, na televisão estatal. “A situação é muito tensa, o calor continua aumentando, e o efeito do bloqueio está nos causando muito dano”, declarou.
Para o presidente cubano, a “perseguição energética” faz parte de “um plano perverso” de Washington que “tem como principal objetivo o sofrimento de todo o povo, para tomá-lo como refém e conduzi-lo contra o governo”.
Nesta quarta-feira, dezenas de pessoas, em sua maioria mulheres, algumas batendo panelas, protestaram contra os intermináveis apagões em San Miguel del Padrón, um bairro periférico de Havana, relatou uma moradora à AFP.
Ainda assim, o país continua “de pé” e “não é um Estado falido”, acrescentou Díaz-Canel, referindo-se a uma expressão usada na terça por Trump. O presidente antecipou que os Estados Unidos vão “conversar” com Cuba.
Havana registra cortes de eletricidade que ultrapassam 19 horas diárias, enquanto em várias províncias os apagões se estendem por dias inteiros.
A produção de eletricidade na ilha depende em grande parte de sete usinas termelétricas envelhecidas, que sofrem falhas frequentes ou precisam ser paralisadas para manutenção. O país produz cerca de 40 mil barris diários de petróleo pesado, destinados a essas usinas.
A elas se soma uma rede de geradores de emergência abastecidos com diesel importado e atualmente inoperantes por falta de combustível.
Para reduzir sua dependência do petróleo, o governo cubano promove o desenvolvimento de energias renováveis, em particular a energia solar, com o apoio da China.
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