Internacional

Centro argentino que pesquisa hantavírus sofre com últimos cortes orçamentários de Milei

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O governo argentino de Javier Milei reduziu o orçamento de várias áreas e órgãos do Estado, entre eles o Instituto de Saúde Carlos Malbrán, o centro epidemiológico que tem a missão investigar se o hantavírus está presente em Ushuaia, de onde partiu o cruzeiro Hondius.

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O ajuste de 2,5 trilhões de pesos (cerca de 1,7 bilhão de dólares) afeta verbas para educação, saúde e infraestrutura de quase todas as áreas do Estado, em um novo corte da "motosserra" do ultraliberal Milei em busca do equilíbrio fiscal.

A resolução de mais de 600 páginas foi publicada no Diário Oficial na noite de segunda-feira.

O governo reduziu em 1,162 bilhão de pesos (cerca de 821 mil dólares, pouco mais de 2% de seu orçamento) os recursos para o funcionamento do centenário Instituto de Saúde Carlos Malbrán, centro de referência no diagnóstico e pesquisa de doenças e em estudos epidemiológicos.

A notícia "causou uma enorme desolação" entre os pesquisadores do Malbrán, disse à AFP Rubén Romero, delegado sindical da instituição vinculada ao Ministério da Saúde e que conta com cerca de mil funcionários. "Foi um golpe muito forte", resumiu.

Os cientistas temem o impacto da medida, especialmente em termos tecnológicos.

"Estamos muito preocupados com esse tema, tentaremos chamar as autoridades à reflexão sobre a prioridade do sistema sanitário (...) precisamos de insumos para trabalhar no nível para o qual estamos preparados", afirmou.

O centro produz soros antiofídicos, medicamentos oncológicos, reagentes diagnósticos e gera informações fundamentais para as políticas de saúde. Seu trabalho foi crucial para a Argentina durante a pandemia de covid-19.

A Organização Pan-Americana da Saúde o considera "na vanguarda" no estudo da resistência aos antimicrobianos e como referência regional em pesquisas de doenças infecciosas.

Espera-se que especialistas do Malbrán viajem nos próximos dias para Ushuaia para capturar e analisar roedores e determinar se o paciente zero do surto no Hondius pode ter sido infectado na cidade antes de embarcar no cruzeiro que partiu dali em 1º de abril.

Três passageiros morreram por hantavírus da cepa Andes, a única até agora conhecida por ser transmitida entre humanos. Ela está presente na Patagônia argentina e chilena, mas até agora não havia sido identificada na província da Terra do Fogo, cuja capital é Ushuaia.

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sa/lm/vel/am

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