EUA buscam garantir fornecimento de terras raras e reduzir dependência da China
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Os Estados Unidos buscam acelerar o desenvolvimento de uma cadeia de fornecimento de terras raras, metais usados na fabricação de mísseis, como os utilizados contra o Irã, ou em smartphones, em uma tentativa de reduzir sua dependência da China.
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos difíceis de extrair e essenciais para a tecnologia moderna. Apenas alguns gramas são necessários para uma televisão ou um laptop, mas várias centenas para um míssil Tomahawk ou Patriot.
"O conflito no Oriente Médio evidencia quais minerais são essenciais" para as operações militares "e os possíveis pontos de ruptura da cadeia de fornecimento", observou Manhaz Khan, vice-presidente do Silverado Policy Accelerator, um centro de estudos com sede em Washington.
O centro de estudos CSIS advertiu em abril que o arsenal americano "começará a se recuperar, mas restaurar os estoques esgotados e depois alcançar os níveis de inventário desejados levará muitos anos".
As terras raras mais utilizadas são o neodímio e o praseodímio. Elas servem para fabricar os chamados ímãs permanentes, cerca de dez vezes mais potentes que os ímãs clássicos, usados em veículos elétricos, turbinas eólicas e smartphones.
O samário é usado em ímãs muito valorizados pela indústria de defesa.
Os Estados Unidos aumentaram sua participação na produção mundial de terras raras de 3% para 13% graças a subsídios e incentivos fiscais impulsionados primeiro durante o primeiro mandato de Donald Trump (2017-2021) e depois sob Joe Biden (2021-2025).
Trump, que voltou ao poder no ano passado, está decidido a garantir a soberania dos Estados Unidos nesse setor.
Até 2025, havia apenas uma mina importante no país, a jazida de Mountain Pass, na Califórnia, explorada pela MP Materials.
A mineradora Ramaco Resources abriu em julho a Brook Mine, em Wyoming, e outros projetos estão em desenvolvimento em Montana, Wyoming e Nebraska.
Os Estados Unidos também apostam na reciclagem desses elementos, por meio das recém-chegadas REEcycle e Phoenix Tailings, mas também da MP Materials.
Além disso, o governo americano busca alternativas fora de suas fronteiras e acaba de facilitar a aquisição da produtora brasileira Serra Verde pela startup USA Rare Earth, na qual assumiu uma participação de 10% em janeiro.
- "Superar a China" -
Mas a extração é apenas a primeira etapa de um processo que também inclui o refino e a separação, antes da transformação.
Graças à separação, a China controla o setor, ainda com 91% dos volumes em 2025, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).
As autoridades chinesas restringiram a exportação de vários desses elementos no ano passado. Depois, suspenderam a medida e consolidaram o controle desse recurso como alavanca geopolítica.
Índia, Japão e França também redobram esforços para afrouxar o cerco chinês sobre as terras raras.
Este tema está na agenda da visita de Trump a seu homólogo chinês, Xi Jinping.
A MP Materials, na qual o governo americano tem uma participação de cerca de 15%, iniciará "de forma iminente" a técnica de separação em Mountain Pass, indicou o diretor-geral James Litinsky.
Em janeiro, outro industrial americano, a Energy Fuels, também produtora de urânio, assumiu o controle da australiana ASM e prevê a construção de uma fábrica nos Estados Unidos, que também fará a separação.
A USA Rare Earth, por sua vez, adquiriu uma participação de 12,5% no capital da francesa Carester, com a qual desenvolve essa técnica.
A Vulcan Elements e a eVAC Magnetics já produzem ímãs permanentes desde o ano passado.
"Não nos limitamos a vender ímãs", declarou à AFP o diretor da Vulcan Elements, John Maslin. "Oferecemos uma cadeia de fornecimento segura, independente da China".
Roderick Eggert, professor da Colorado School of Mines, afirmou que levará tempo para que essa produção consiga "reduzir de forma significativa as fatias de mercado dos produtores chineses".
Os Estados Unidos apostam em várias frentes e assinaram nos últimos meses acordos com vários países produtores, como Austrália, Tailândia, Ruanda e República Democrática do Congo.
Para Maslin, a autonomia dos Estados Unidos, da extração à comercialização de ímãs permanentes, já não parece absurda.
"A indústria terá que inovar e superar a China, não simplesmente copiar o que ela faz", afirmou.
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