Laboratório sul-africano produzirá novo tratamento contra o HIV para a África
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Um laboratório sul-africano produzirá uma versão genérica de um novo tratamento contra o HIV, um importante avanço rumo à soberania médica na África, informou nesta terça-feira (12) a agência internacional de saúde Unitaid.
O lenacapavir, desenvolvido pela farmacêutica americana Gilead, é um tratamento injetável contra o HIV que precisa ser administrado apenas duas vezes por ano.
Segundo especialistas, isso representa um enorme avanço em relação aos tratamentos que exigem a ingestão de um comprimido todos os dias, especialmente para as mulheres, que podem ser estigmatizadas.
Estudos mostram que esse medicamento reduz o risco de transmissão do HIV em 99,9%.
"Junto com a Gilead, temos um acordo com o governo da África do Sul para que esse medicamento seja produzido na África do Sul o mais rápido possível", declarou o diretor-executivo da Unitaid, Philippe Duneton.
A Unitaid trabalha para combater doenças em países pobres a um custo menor.
Atualmente, o lenacapavir custa cerca de 28 mil dólares por ano nos Estados Unidos. No entanto, espera-se que, a partir de 2027, estejam disponíveis versões genéricas com custo aproximado de 40 dólares por ano em mais de 100 países.
Duneton, que falou durante uma cúpula econômica franco-africana em Nairóbi, classificou a medida como um "passo muito importante", já que o investimento na produção regional de medicamentos na África era "absolutamente essencial".
A questão ganhou relevância durante a pandemia de coronavírus, quando os países desenvolvidos ficaram, em grande parte, com as doses de vacinas para si mesmos.
Duneton disse à AFP que um "acordo preliminar" com a Gilead será finalizado assim que forem identificados os laboratórios sul-africanos encarregados de fabricar uma versão genérica do lenacapavir.
Uma vez escolhido o laboratório sul-africano, a produção efetiva "levará entre um e dois anos, é o que esperamos", estimou Duneton.
Esse anúncio ocorre em um momento em que países africanos, como a África do Sul, registram altas taxas de infecção por HIV/aids.
Além disso, as nações do continente enfrentam cortes na ajuda humanitária global, especialmente dos Estados Unidos, que afetaram programas de combate à doença.
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